MILAGRES: MILAGRES SÃO OS ALICERCES DA NOSSA FÉ CRISTÃ

Em continuação a estas reflexões sobre milagres, faz-se necessário voltarmo-nos para o aspecto espiritual e pensar no quanto a nossa fé cristã está ancorada em milagres. Sem aceitar como verdadeiros os grandes milagres apresentados na Bíblia, não há como sermos cristãos. Relembremos o anúncio do nascimento virginal de Jesus Cristo, como relatado em Lucas, capítulo 1, a partir do verso 26:

26 No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galiléia,

27 a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria.

28 O anjo,aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!”

29 Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação.

30 Mas o anjo lhe disse:“Não tenha medo, Maria;você foi agraciada por Deus!

31 Você ficará grávida e dará à luz um filho,e lhe porá o nome de Jesus.

32 Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo.O Senhor Deus lhe daráo trono de seu pai Davi,

33e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó;seu Reino jamais terá fim”.

34 Perguntou Maria ao anjo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?”

35 O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus.

Este relato do evangelista é um pacote de milagres: a aparição de um anjo à Maria é um milagre; o anúncio que o Filho de Deus se faria humano é um milagre; e a concepção virginal de Jesus é um milagre.

Junto com este, o milagre da ressurreição de Jesus e o milagre da ascensão de Jesus aos céus fica formado o tripé que sustenta a nossa fé: Para ser cristão é preciso crer nestas intervenções miraculosas de Deus na história, como testemunhado pelos Evangelhos: a vinda de Jesus como ser humano; seu nascimento virginal, sua morte e ressurreição e sua ascensão aos céus com a promessa que voltará mais uma vez.

Assim, para ser cristão é imprescindível crer que Deus interveio na trajetória da raça humana; prometeu intervir de maneira marcante no futuro; e continua intervindo como, quando e quanto deseja, em qualquer momento ou circunstância. A maioria das religiões e filosofias de vida não aceitam a intervenção de Deus, transferindo ao ser humano a responsabilidade pelo que acontece no presente e pelo seu futuro. Somente sendo cristão é que se pode compreender de modo completo e correto os milagres. É a fé em Jesus Cristo, como o filho de Deus e como nosso salvador, que abre os nossos olhos para a realidade da intervenção de Deus nos negócios humanos.

Firmado neste entendimento de Jesus Cristo e de Deus, algumas consequências devem, de igual modo, serem firmadas:

O milagre é um assunto espiritual. Milagre não é algo para ser explicado. Para ele não cabe em uma compreensão nem cientifica, nem racional. Um milagre deve ser aceito por aquilo que ele é: intervenção de Deus. Tudo o que não preenche esta condição principal deve ser excluído da consideração sobre milagres. Devemos deixar o tema milagre no âmbito da vida espiritual, lembrando que a Bíblia nos alerta da seriedade necessária para tratar das coisas espirituais, como da sua incompreensão por aqueles que não puseram a sua fé em Jesus. Lembremos deste ensino de Cristo, apresentado em João capítulo 3, versos 3 a 8

“Em resposta, Jesus declarou: Digo-lhe a verdade a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo. Perguntou Nicodemos: Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer! Respondeu Jesus: digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é Espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo. O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito”.

Este texto tão esclarecedor também nos ajuda a distinguir e compreender as utilizações erradas que comumente se tem feito a respeito do que é espiritual e da espiritualidade.

O milagre só pode ser compreendido em termos espirituais. Entendido que “quem nasce da carne é carne” e que a carne, isto é a condição humana natural não consegue compreender as coisas espirituais, como Paulo escreve em sua carta aos Romanos, capitulo 8 versos 5 a 8:

“Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja, mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espirito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus, porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus”.

Devemos ficar na esfera do espiritual para compreender tudo a respeito dos milagres.

O milagre tem um propósito espiritual. O ponto chave é este: os milagres não existem para nos satisfazer, nos fazer sentir bem ou alimentar o nosso ego com a sensação de que somos filhos preferidos de Deus. Tudo isto, de fato pode fazer parte dos milagres, mas nos restringirmos a eles é como ver apenas a parte iluminada da Lua. Aceitar que o propósito divino é que prevalece no milagre nos traz a compreensão correta dele.

Milagres não são feitos para fazer-nos ricos nem para que vivamos muitos anos, muito menos para nos livrar de todas as encrencas a que os caminhos da nossa vida nos levam.

É importante pensar também que o propósito dos milagres, como a Bíblia nos apresenta, é abrangente e comporta muita coisa. Para ser a glorificação de Deus e ser o meio de fazer o nome de Deus conhecido e crido, os milagres podem nos trazer alegria e satisfação, realizando coisas maravilhosas que nos façam, com surpresa e até com espanto agradecer e elevar o nome de Deus com o testemunho de nossas vidas. Mas, devemos nos conscientizar que a alegria e satisfação maior deve ser a de ver a manifestação da glória de Deus e a sua operação em fazer mais pessoas conhecerem e se submeterem à soberania dele.

Sejamos firmes na nossa vida espiritual e fiquemos na dependência da vontade de Deus.

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