MILAGRES (Parte 4)

A FÉ QUE DESENCADEIA MILAGRES


Três textos bíblicos orientaram a nossa reflexão desta oportunidade. O primeiro é de João 14.12-13:


12 Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.

13 E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho.

14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.


O segundo é de João capítulo 9 versos 1 a 3 e 6-7:


1 Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.

2 Seus discípulos lhe perguntaram: Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais para que ele nascesse cego?

3 Disse Jesus: nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele

. . .

6 Tendo dito isto, cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou aos olhos do homem.

7 Então lhe disse: vá lavar-se no tanque de Siloé (que significa enviado). O homem foi, lavou-se e voltou vendo.


E o terceiro é da carta de Tiago, capítulo 4 versos 2 e 3:


2 Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem.

3 Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.


A expressão de Jesus no texto do evangelista João, capítulo 14 verso 13 “E eu farei o que vocês pedirem em meu nome” tem sido a base para a reivindicação de milagres. Outras versões da escritura colocam mais ênfase na declaração: “E tudo quanto pedires em meu nome, eu o farei”. Repetindo insistentemente esta frase, os defensores da reivindicação ensinam que apenas precisamos ‘tomar posse’ do que queremos, pois como Deus não mente e não falha ele tem o dever de fazer acontecer o que pedimos. O raciocínio desta corrente de pensamento fecha-se então atribuindo ao suplicante a responsabilidade pelas falhas se o desejo não é satisfeito: faltou fé na reivindicação junto a Deus. Há algumas razões para desqualificar este raciocínio, visto que há outros textos da Bíblia que não estão em concordância com este e sempre se deve buscar o entendimento da Bíblia no seu todo e não se apegar a apenas uma passagem, desvalorizando outras que abordam a mesma questão.


Do segundo texto lido, de João capítulo nove, é preciso ressaltar aqui dois aspectos. O primeiro, a respeito do esclarecimento de Jesus sobre a origem da cegueira daquele homem: ela não era decorrente do pecado, nem dele nem de seus pais, mas havia um propósito divino naquela deficiência. E quão difícil é aceitar isto: o homem sofria desta tão severa limitação sua vida inteira porque Deus assim queria! Depois de anos e anos cego, ele se encontraria com Jesus e seria liberto para que a glória de Deus fosse manifesta. Numa situação como esta, qual o valor da fé humana para a realização de um milagre de cura, se os planos de Deus são outros?


O segundo destaque é que o cego sequer fez qualquer petição pela sua cura. Sem que lhe fosse pedido, Jesus interveio, untou com pó e saliva os seus olhos e mandou ele se lavar no tanque de Siloé. O descompromisso do cego com o milagre e com Jesus fica evidenciado ao continuar o texto e ler a resposta que ele deu aos que o conheciam e se interessaram por saber o que ocorreu: ele mencionou a ação de Jesus ao seu favor, mas quando perguntando sobre Jesus ele responde como que desinteressado: ‘Não sei’.


O terceiro texto, da carta de Tiago capítulo quatro vem ajudar-nos com um esclarecimento significativo nas expressões: ‘Vocês não têm porque não pedem’ acrescido em seguida por ‘você não recebem pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres’.


Este ensino nos conduz ao coração da nossa motivação por milagres. Começa com a necessidade de pedir para ter e se aprofunda com o requerimento de pedir pela razão certa. A razão certa de um milagre já sabemos: é a glorificação de Deus; a razão errada, Tiago a define: é pedir para gastar nos nossos próprios prazeres. Será que conseguimos aprovação neste teste de Tiago? Quanto dos nossos pedidos a Deus não visam apenas o nosso próprio prazer?


E assim é preciso perguntar: temos a fé do tamanho diminuto de um grão de mostarda? Em Mateus 17.20 Jesus diz que nada maior do que isto é necessário para que ao nosso comando um monte se mova. Sem duvida não a temos. Somos como os discípulos de Jesus, neste mesmo episódio: não conseguimos fazer os mesmos milagres que Jesus operava. Não sabemos sequer a maneira correta de pedir; temos dúvida a nossa capacidade de fé, por mais que temos convicções e queiramos crer. Definitivamente, a nossa fé para a operação de milagres não chega, de modo algum, ao tamanho de um grão de mostarda: a imperfeição humana nos impede, e temos certeza que Deus não desconhece este fato.


Podemos viver em paz com as nossas limitações, qualquer que seja a sua natureza; Deus coloca a nossa disposição recursos abundantes para conviver com elas. A nós compete nos aproximar mais de Deus e com sinceridade depender dele. Lembremos do recurso extraordinário apresentando por Paulo em sua Carta aos Romanos capítulo oito versos 26 e 27:


Da mesma forma o Espírito ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.


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