MILAGRES: SIM, CREIO EM MILAGRES

Ao terminar estas argumentações sobre milagres, devemos reafirmar a nossa crença neles. Milagres existem muito mais do que reconhecemos e do que percebemos, ainda que talvez não o que desejamos. Milagres são pequenos lampejos ou grandes clarões que nos permitem vislumbrar a glória de Deus. Milagres não estão sob nosso controle nem sob nosso comando; eles são expressões da soberania de Deus, somente sujeitos à vontade dele. Para nós, milagres podem ser surpresas inesperadas e manifestações inusitadas, pois quem os provoca “é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós” [Efésios 3.20]. O que conta é reconhecer os milagres, acreditar neles e estar atentos a eles. Como canta o hino que gostávamos: ‘Conta as bênçãos, dize quantas são, uma a uma, conta a cada vez’. Sim, eu creio em milagres.


Reconhecer cada dia os milagres como realidade é entender que as intervenções de Deus podem ser um sutil empurrão do seu dedo mindinho, como podem ser situações inteiras que Deus tomou na palma da sua mão e as cuidou com carinho e esmero.


O esforço para obter o entendimento biblicamente correto do milagre nos conduz para longe da sobrevalorização e do desprezo a eles. É errado transformar os milagres na única razão da nossa fé; é errado viver numa contínua busca de milagres, milagres grandes, milagres pequenos, milagres medicinais, milagres financeiros, milagres amorosos e todo o tipo mais de milagres que achamos necessários para fazer a nossa vida feliz. Igualmente é errado ignorar ou menosprezar os milagres, avaliando tudo com os olhos céticos que só conseguem ver o racional e o acidental.


A medida correta está no encontro dos milagres com a Adoração, nos colocando sob a dependência de Deus em espírito de gratidão e de expectativa, louvando-O pelo que Ele realizou, realiza e sempre realizará; ficando na expectativa de como e quando nos agraciará, sem sermos capazes de antecipar qualquer aspecto da sua intervenção, mas pela fé cremos que elas ocorrerão. E então todas estas percepções do ocorrido e expectativas pelo que ainda virá a ocorrer se transformam em Adoração, ao nos submeter à soberania de Deus. Adoramos a Deus pelos milagres que ele fez por nós, por outros e por todos. Adoramos a Deus pelos milagres que gostaríamos de testemunhar, mas que não ocorreram.


Deve-nos inspirar a postura que vemos no poeta do Salmo 103. Ele entendeu que todas as obras e ações de Deus são intervenções em favor dele e de todo ser humano. Ele compreendeu a necessidade de perceber e proclamar os milagres de Deus. Ele se apercebeu que o único modo que como pessoas podemos reconheceras ações de Deus a nossa favor é adorando-o e bendizendo Seu nome.


Este salmo é um hino à grandeza de Deus e às maravilhas do seu poder continuamente agindo a nosso favor. Cantemos com o salmista, reafirmando: sim, eu creio em milagres.


1Bendiga o SENHOR a minha alma!

Bendiga o SENHOR todo o meu ser!

2Bendiga o SENHOR a minha alma!

Não esqueça nenhuma de suas bênçãos!


3É ele que perdoa todos os seus pecados

e cura todas as suas doenças,

4que resgata a sua vida da sepultura

e o coroa de bondade e compaixão

5que enche de bens a sua existência,

de modo que a sua juventude

se renova como a águia.


6O SENHOR faz justiça

e defende a causa dos oprimidos.


7Ele manifestou os seus caminhos a Moisés,

os seus feitos aos israelitas.


8O SENHOR é compassivo e misericordioso,

mui paciente e cheio de amor.


9Não acusa sem cessar

nem fica ressentido para sempre;

10 não nos trata conforme os nossos pecados

nem nos retribui conforme as nossas iniqüidades.


11 Pois como os céus se elevam acima da terra,

assim é grande o seu amor

para com os que o temem;

12 e como o Oriente está longe do Ocidente,

assim ele afasta para longe de nós

as nossas transgressões.


13 Como um pai tem compaixão de seus filhos,

assim o SENHOR

tem compaixão dos que o temem;

14pois ele sabe do que somos formados;

lembra-se de que somos pó.

15 A vida do homem é semelhante à relva;

ele floresce como a flor do campo,

16 que se vai quando sopra o vento

e nem se sabe mais o lugar que ocupava.




17 Mas o amor leal do SENHOR,

o seu amor eterno, está com os que o temem,

e a sua justiça com os filhos dos seus filhos,

18 com os que guardam a sua aliança

e se lembram de obedecer aos seus preceitos.


19 O SENHOR estabeleceu o seu trono nos céus,

e como rei domina sobre tudo o que existe.

20 Bendigam o SENHOR,

vocês, seus anjos poderosos,

que obedecem à sua palavra.


21 Bendigam o SENHOR todos os seus exércitos,

vocês, seus servos, que cumprem a sua vontade.


22 Bendigam o SENHOR todas as suas obras

em todos os lugares do seu domínio.


Bendiga o SENHOR a minha alma!


Para a nossa inspiração e balizamento da discussão de hoje, leio no Evangelho de João capítulo 11, a partir do verso3:


1Havia um homem chamado Lázaro. Ele era de Betânia, do povoado de Maria e de sua irmã Marta. E aconteceu que Lázaro ficou doente.

2Maria, sua irmã, era a mesma que derramara perfume sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os cabelos.

3Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está doente”.

4Ao ouvir isso, Jesus disse: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”.

5Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.

6No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava.

7Depois disse aos seus discípulos: “Vamos voltar para a Judéia”.

8Estes disseram: “Mestre, há pouco os judeus tentaram apedrejar-te, e assim mesmo vais voltar para lá?”

9Jesus respondeu: “O dia não tem doze horas? Quem anda de dia não tropeça, pois vê a luz deste mundo.

10 Quando anda de noite, tropeça, pois nele não há luz”.

11 Depois de dizer isso, prosseguiu dizendo-lhes: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou até lá para acordá-lo”.

12 Seus discípulos responderam: “Senhor, se ele dorme, vai melhorar”.

13 Jesus tinha falado de sua morte, mas os seus discípulos pensaram que ele estava falando simplesmente do sono.

14 Então lhes disse claramente: “Lázaro morreu,

15 e para o bem de vocês estou contente por não ter estado lá, para que vocês creiam. Mas vamos até ele”.

16 Então Tomé, chamado Dídimo disse aos outros discípulos: “Vamos também para morrermos com ele”.

17 Ao chegar, Jesus verificou que Lázaro já estava no sepulcro havia quatro dias.

18 Betânia distava cerca de três quilômetros de Jerusalém,

19 e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para confortá-las pela perda do irmão.

20 Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi encontrá-lo, mas Maria ficou em casa.

21 Disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido.

22 Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires”.

23 Disse-lhe Jesus: “O seu irmão vai ressuscitar”.

24 Marta respondeu: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia”.

25 Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá;

26 e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?”

27 Ela lhe respondeu: “Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo”.

28 E depois de dizer isso, foi para casa e, chamando à parte Maria, disse-lhe: “O Mestre está aqui e está chamando você”.

29 Ao ouvir isso, Maria levantou-se depressa e foi ao encontro dele.

30 Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.

31 Quando notaram que ela se levantou depressa e saiu, os judeus, que a estavam confortando em casa, seguiram-na, supondo que ela ia ao sepulcro, para ali chorar.

32 Chegando ao lugar onde Jesus estava e vendo-o, Maria prostrou-se aos seus pés e disse: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido”.

33 Ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se.

34 “Onde o colocaram?”, perguntou ele. “Vem e vê, Senhor”, responderam eles.

35 Jesus chorou.

36 Então os judeus disseram: “Vejam como ele o amava!”

37 Mas alguns deles disseram: “Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que este homem morresse?”

38 Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra colocada à entrada.

39 “Tirem a pedra”, disse ele.Disse Marta, irmã do morto: “Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias”.

40 Disse-lhe Jesus: “Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?”

41 Então tiraram a pedra. Jesus olhou para cima e disse: “Pai, eu te agradeço porque me ouviste.

42 Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa do povo que está aqui, para que creia que tu me enviaste”.

43 Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: “Lázaro, venha para fora!”

44 O morto saiu, com as mãos e ospés envolvidos em faixas de linho e o rosto envolto num pano.

Disse-lhes Jesus: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir”.

45 Muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que Jesus fizera, creram nele.


Caminhando para o final desta série, vamos reforçar um aspecto dos milagres que abordado de passagem, requer uma atenção específica: o nosso papel nos milagres.


Não é demais insistir que os milagres dizem respeito apenas a Deus: é a ação de Deus, é a soberania de Deus, é o tempo e a circunstância estabelecidos por Deus; é a glorificação de Deus. Ainda que os milagres requeiram a nossa fé e a nossa súplica, é apenas a vontade de Deus que determina a sua ocorrência. Pensar em milagres é pensar em Deus; desejar milagres é desejar a revelação de Deus; ansiar por milagres, deve ser,acima de tudo, almejar o cumprimento da vontade de Deus.


O relato de João sobre a ressurreição de Lázaro nos ensina a tal respeito. Jesus realizou o milagre de trazer este homem de volta a vida, depois de estar sepultado por quatro dias! Jesus realizou um milagre que não foi pedido, que sequer foi imaginado possível, ao contrário precisou superar a reprimenda, a indignação e a reprovação dos que estavam à sua volta. A reprimenda veio de Maria: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido”. A indignação veio de Marta, quando Jesus lhe disse que Lázaro ressuscitaria: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia”. E é dela também a reprovação quando Jesus ordenou que a sepultura fosse aberta: “Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias”.Toda a participação humana neste episódio se constituiu em obstáculos contra o milagre; mas ele aconteceu e cumpriu a sua finalidade, levando muitos a crer em Jesus.


Devemos em oração suplicar pelas intervenções de Deus que almejamos; a Bíblia nos encoraja a isto; mas erramos ao querer que os milagres sejam o objetivo final da nossa fé, se tornando a razão de buscar a Deus. Devemos buscar a Deus para nos submeter a ele, para ver a vontade dele se realizar não só na nossa vida, mas em tudo. Guardemos conosco o ensino de Pedro em sua Primeira carta, capítulo 5 versos 6 e 7:


Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.

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