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O DESTINO DOS PERVERSOS

Nosso encontro de hoje enfoca mais dois discursos.: o segundo de Elifaz e a réplica de Jó. À medida que Jó se apresenta mais veemente em sua fala, seus amigos se tornam também mais severos com ele. Vimos, recentemente, que Elifaz tinha apresentado as suas ideias, em seu primeiro discurso, de forma cortês, suave. Hoje, já no segundo ciclo de debates, o que pode ser comprovado com a leitura do capítulo 15, deparamo-nos com acusações dirigidas a Jó. Para Elifaz, Jó era impiedoso e imbecil. Forte, não acha?

          A aspereza da resposta de Elifaz sugere que ele sentira-se magoado pelas observações mordazes de Jó. Além de falante, pretensioso, alerta Elifaz, Jó é também perigoso, pois suas palavras ameaçam a sã religião. Até agora os amigos estavam atirando às escuras, tentando descobrir erros ocultos de Jó. Agora, no entanto, Elifaz entende que o pecado já não se esconde mais, o modo de Jó falar indica uma iniquidade mais arraigada, o que ele entende ser fruto da culpa.

          Realmente Elifaz estava zangado. Em sua primeira fala, quando pintara o quadro da morte feliz do homem bom, foi contestado por Jó. Em seguida, Bildade falara a respeito das sendas dos perversos e também a ele Jó retrucou. Agora, Elifaz, volta a falar e  apresenta o tema de que os perversos costumam ter uma vida infeliz e morte prematura. Assim diz a tradição, assim é. Por isso, Jó padecia de todos aqueles males, ele o havia feito por merecer.

          O que Elifaz estava fazendo era invocar a sanção da mais pura tradição para sustentar seu dogma retributivo. Ouçamos: “o que os sábios anunciaram, que ouviram de seus pais e não o ocultaram, todos os dias o perverso é atormentado no curto número de anos que se reservam para o opressor” Tradição. Dogma. As coisas são assim porque é o costume. Pobre Elifaz! Como perdia oportunidades de aprender, como se distanciava da revelação de Deus!

          Mais uma vez, Jó começa a falar. Apesar das dores físicas, emocionais e espirituais que enfrentava, o patriarca precisava apregoar a sua inocência. Ele não consentiria em ser acusado, pois certamente haveria algo que Deus estava desejando revelar com aquela experiência e Jó não pretendia perder a oportunidade de conhecer melhor a Deus.

          Caminhemos para os capítulos 16 ,17 e 19 para conhecermos o pensamento de Jó. O amado leitor deve procurar o texto bíblico com cuidado, pois é rico em detalhes a respeito das descobertas que Jó vinha fazendo. O texto mostra o seu posicionamento diante não só do discurso de Elifaz como também do segundo discurso de Bildade, este registrado no capítulo 18 do livro que estamos estudando.

          Conforme se aproxima a crise da fé, Jó presta pouca atenção aos argumentos dos seus amigos, exceto para expressar seu desapontamento em uma simples e curta introdução. Em seguida, parece refletir, meditar em voz alta e apenas, ocasionalmente, dirige os seus pensamentos a Deus ou aos amigos ali presentes.

          Na sua aflição, ele pensa que Deus o havia aprisionado e o dominado como se faz a um animal selvagem. Isso o angustia. No entanto, no mesmo discurso percebemos que Jó, à semelhança do que vimos no último estudo, sai do abismo mais profundo para se elevar às mais sublimes alturas. As insinuações não o fizeram esquecer a sua inocência. Dolorosamente apela para a testemunha celestial suplicando-lhe que defenda a sua causa ante as insinuações dos amigos e dos terríveis golpes que Deus havia permitido que sofresse: “Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e nas alturas quem advoga a minha causa. Os meus amigos zombam de mim, mas os meus olhos se desfalecem em lágrimas diante de Deus” gritava Jó.

          O apelo torna-se mais intenso e ganha força à medida que Jó se lembra de que os anos o vão impelindo para a sepultura. Só Deus pode lhe dar segurança, só Deus pode ser por ele, que me dê a mão, é o apelo que faz: “dá-me, pois um penhor; sê o meu fiador para contigo mesmo; quem mais haverá que se possa comprometer comigo?”(Jó 17:3).

          Ao contemplar, no discurso, o futuro, encontra reacesa a esperança que o presente lhe nega: se ao menos as suas palavras pudessem ser gravadas!, suspira ele. É exatamente neste momento de profunda dor que surge a visão de Alguém que defenderá a sua causa, que o redimiria, ou melhor, o justificaria: Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem me dera fossem gravadas em livro! Que, com pena de ferro e com chumbo para sempre fossem esculpidas na Rocha! Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a Terra. Depois, revestido este meu corpo na minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo”. Jó 19:23-27a.

          Fascinante o pensamento de Jó. Enquanto injustamente sofria e era acusado, guarda espaço para entender a soberania de Deus. Sim, ele também conhecia a tradição, ele também a ensinara a outros. Claro, ele tinha sido fiel à revelação de Deus que até então era conhecida. Ele fazia parte daquele grupo que estava sempre buscando andar nos caminhos de Deus e honrá-lo em tudo. No entanto, sabedor de que não havia praticado qualquer delito contra o seu Senhor, prostra-se diante da transcendência de Deus. Ele enxerga adiante, ele confia na atuação de Deus, ele sabe que haverá redenção e isso apregoa. E continua: a redenção será para ele, apesar da opinião em contrário dos seus amigos, porque o seu Redentor conhece-lhe o  coração.

          Meu leitor, como tem sido a sua vida? Que dificuldades tem enfrentado? Quais têm sido as suas lutas? Gostaríamos de convidá-lo a seguir os passos de Jó, a confiar na transcendência do Senhor. Ele conhece os detalhes da sua situação, ele vê as suas lágrimas e a sua dor. Ele continua sendo o Redentor. Vamos  confiar nEle? Vamos permitir que Ele se revele a nós? Vamos procurar-Lhe a companhia, apesar das lutas da nossa vida? O que vamos aprender de Deus e com Deus por intermédio desta experiência? Que Ele mesmo nos ajude a chegar às respostas, é a nossa oração.

 
 
 

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