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O EVANGELHO EM OUTRAS PARAGENS (Marcos 7)

O QUE DEVE REGULAR A VIDA: A TRADIÇÃO OU A PALAVRA DE DEUS? (Mc 7:1-5) – os fariseus e escribas eram os guardiões da tradição judaica e eram farejadores de heresias; os escribas eram especialistas da lei; eles a estudavam, interpretavam e a ensinavam ao povo. O problema era que eles estavam mais preocupados com as “tradições”, que de geração em geração, tinham sido passadas com respeito à interpretação e aplicação da lei. Já os fariseus eram aqueles que tentavam fazer todos crerem que eles, os separatistas, estavam vivendo de acordo com o ensino dos escribas.

A prática dos acusadores (Mc 7:3,4) – os escribas e fariseus transformaram a vida espiritual num fardo pesado, com muitas regras e normas.

A pergunta dos acusadores (7:5) – os fariseus e escribas estavam escandalizados porque os discípulos de Cristo não purificavam as mãos para comer, nem mesmo prestavam obediência à tradição dos anciãos. Eles queriam atingir a Cristo. Os equívocos dos líderes religiosos: eles pensavam que por observar esses ritos eram melhores que os outros; eles estavam enganados quanto à natureza do pecado; eles negligenciaram o mandamento de Deus (7:8); rejeitaram o preceito de Deus (7:9); invalidaram a Palavra de Deus (7:13).

Jesus vai refutar os argumentos dos fariseus e escribas (7:6-13) – Jesus descreve o caráter dos acusadores os chamando de hipócritas; hipócrita é um ator, ele desempenha o papel de outra pessoa; o hipócrita é aquele que fala uma coisa e sente outra.

Jesus revela a inversão de valores dos acusadores (7:8) – o zelo dos escribas e fariseus não era em preservar e proclamar a Palavra de Deus, mas em manter as tradições dos anciãos. Os rabinos haviam dividido a lei mosaica, ou Torá, em 613 decretos distintos, com 365 deles contendo proibições, enquanto 248 eram orientações positivas.

Jesus aponta os desvios dos acusadores (7:7-13) – o culto deles era em vão (7:7); Jesus responde citando para eles a lei e os profetas – Êxodo 20:12 e Isaías 29:13; a autoridade está na Palavra de Deus; o culto verdadeiro acontece quando é regido pela verdade de Deus e pela sinceridade de coração; eles negligenciam o mandamento de Deus (7:8); eles deturpam o mandamento de Deus para manter a tradição dos homens; eles rejeitaram o preceito de Deus (7:9,12); fizeram um arranjo para deturpar o quinto mandamento e liberar os filhos avarentos da responsabilidade de cuidarem de seus pais na velhice

Proclamavam amar a Deus, mas não tinham amor pelos pais; os fariseus e escribas anularam o preceito bíblico de “honrar pai e mãe” pela aplicação errada da Corbã; assim, quando um filho mal tinha a intenção de desamparar pai e mãe, sonegando a eles a assistência devida, dizia a eles que não poderia ajudá-los, porque havia dedicado esses recursos financeiros como oferta ao Senhor. Ficavam assim, legalmente isentos de socorrer os pais e não necessariamente, dedicavam essas ofertas a Deus; Corbã significa “dedicado a Deus”; eles invalidaram a Palavra de Deus (7:13); eles estavam retirando a autoridade divina do quinto mandamento; colocavam um tradição injusta e iníqua; Jesus deixa claro que a oferta de Corbã era apenas um exemplo dos muitos desvios desses falsos mestres.

O preceito (7:14-16) – verdades que precisam ser destacadas: a contaminação vem de dentro e não de fora (7:15) – a verdadeira espiritualidade não é ritual nem cerimonial, mas procede da sinceridade do coração; em vez de purificações cerimoniais devemos afiar nosso entendimento e nossos ouvidos (7:14,16). Jesus nos exorta a termos uma espiritualidade governada pelo entendimento da verdade de Deus.

A explicação (7:17-23) – verdades que Jesus nos ensina: a verdadeira pureza tem a ver com o coração e não com o estômago (7:18-20); o alimento desce ao estômago, mas o pecado sobe ao coração; os grandes males procedem do coração e não do ambiente externo (7:21-23); o remédio é um novo coração; é mais difícil ter um coração limpo do que mãos limpas; o evangelho trabalha de dentro para fora, provendo a motivação interna necessária para adquirir caráter justo e para livrar-se de toda impureza e acúmulo de maldade (Tg 1:21).

A VITÓRIA DE UMA INTERCESSORA (Mc 7:24-30) – atente para o fato de que Jesus está num território gentio; a cidade de Tiro era sinônimo de paganismo; desta cidade procedia Jezabel, que seduziu Israel para a idolatria; os judeus consideravam os habitantes de Tiro como cães impuros; Jesus está quebrando o conceito judaico da impureza, uma vez que, a base para ser aceito por Deus não é uma questão de antecedentes étnicos, mas o relacionamento com Jesus; Jesus está lidando com uma mãe aflita.

UMA MÃE INTERCESSORA TEM DISCERNIMENTO SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS SEUS FILHOS (7:25,26) – ela discerne o problema que atinge sua filha (7:25); ela discerne a solução do problema que atinge sua filha (7:26); ela discerne que pode clamar a favor da sua filha (7:26)

UMA MÃE INTERCESSORA TRANSFORMA A NECESSIDADE EM ADORAÇÃO (7:25) – o clamor da mãe foi por misericórdia (7:26); seu clamor foi com senso de urgência (7:25); seu clamor é cheio de empatia, pois o problema da filha é o seu problema.

UMA MÃE INTERCESSORA ESTÁ DISPOSTA A ENFRENTAR QUALQUER OBSTÁCULO PARA VER A FILHA LIBERTADA (7:27,28) – observe os três obstáculos que ela enfrentou antes de ver o milagre de Jesus acontecendo na vida de sua filha: o obstáculo do desprezo dos discípulos de Jesus (Mt 15:23); a barreira do silêncio de Jesus (Mt 15:23). O silêncio de Jesus é pedagógico. A barreira da resposta de Jesus (7:27,28). O despertamento de uma fé robusta da mulher cananeia foi num crescendo: NÃO FUI ENVIADO SENÃO À CASA DE ISRAEL (Mt 15:24); poderiam ser palavras desanimadoras; NÃO É BOM TOMAR O PÃO DOS FILHOS E LANÇÁ-LOS AOS CACHORRINHOS (7:27); essa mãe longe de ficar magoada com a comparação, converte a palavra desalentadora em otimismo e transforma a derrota em consagrada vitória.

UMA MÃE INTERCESSORA TRIUNFA PELA FÉ E TOMA POSSE DA VITÓRIA DOS FILHOS (7:29) – Jesus elogia a fé daquela mãe (Mt 15:28); aquela mãe recebeu pela vitória de sua fé a libertação da sua filha (7:29,30); lute pelos seus filhos, ore por eles; resista a qualquer obra do inimigo na vida dos seus filhos; não descanse até ver os seus filhos salvos; derrame-se aos pés do Senhor; não saia até que você triunfe pela fé.

UM ESPLÊNDIDO MILAGRE (Mc 7:31-37) – os milagres realizados por Jesus na terra apontam para sua benevolência (7:31); mesmo depois de ter sido expulso da região de Decápolis, depois que libertou um homem possesso, Ele volta àquele lugar; isso é graça de Deus oferecida àqueles que um dia O rejeitaram; Jesus oferece uma segunda oportunidade; a presença de Jesus em Decápolis é evidência de que Deus insiste com o homem, oferecendo a ele mais uma oportunidade de salvação.

A SÚPLICA DOS NECESSITADOS (7:32) – eles creem que Jesus tem poder para curar esse enfermo (7:32); eles revelam profunda compaixão por este enfermo (7:32); eles trazem o enfermo a Jesus e intercedem por ele (7:32).

O MÉTODO DE JESUS (7: 33-35) – Jesus realiza esse milagre longe dos holofotes (7:33); Jesus cria uma ponte de contato com esse homem para despertar-lhe a fé (7:33); Jesus pronuncia uma palavra de poder (7:34); Jesus cura o enfermo imediata e completamente (7:35); Jesus proíbe a publicidade do milagre (7:36). Temos vários tipos de surdez, porém a mais cruel é a surdez moral, ou seja, são aqueles que não querem ouvir. A pessoa, propositadamente, resiste ouvir; seus ouvidos estão fechados ao Deus que diz e ao que semelhante fala. Os milagres de Cristo produzem profunda admiração nas pessoas (7:37); os milagres de Cristo revelam as obras de Deus (7:37). Quando Deus criou o universo, Ele mesmo deu sua nota positiva de avaliação; os homens estão cônscios de que as obras de Cristo são perfeitas; o mesmo que criou todas as coisas visíveis e invisíveis continua fazendo todas as coisas esplendidamente bem: abrindo os ouvidos dos surdos e desimpedindo a língua dos mudos.

Bibliografia:

1) Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – CPAD – 2003

2) Bíblia Brasileira de Estudo – Editora Hagnos – 2016

3) Bíblia de Estudo da Reforma – Sociedade Bíblica do Brasil – 2017

4) Bíblia Shedd – Antigo e Novo Testamento – Edições Vida Nova – 2007

5) Comentário Expositivo do Novo Testamento – volume 1 – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos - 2019

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