O GRANDE PODER DE DEUS
- Ana Maria Suman Gomes

- há 5 dias
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Deixamos, no último texto, Eliú fazendo o seu discurso, conduzindo-nos nos pensamentos sobre a criação e a grandeza das obras de Deus. Enquanto ele falava, percebemos que o patriarca Jó continuava em silêncio. Este silêncio de Jó nos emociona, uma vez que percebemos estar o sofredor em profunda perplexidade, buscando entender, enquanto ouvia, a razão para o seu imenso sofrimento.
Hoje, deparamo-nos com uma surpresa para Jó e para todos nós que estamos acompanhando a sua história ao longo deste trimestre. O discurso que agora estudamos, corresponde ao clímax do livro, pois Deus, o nosso Deus e não outro é quem o profere. Jó, no seu silêncio, depara-se com uma voz que sai do meio de um redemoinho, palavra que também pode ser entendida como tempestade.
O leitor está lembrado que as aflições de Jó começaram quando um grande vento matou os seus filhos. O Senhor estava, portanto, naquela tempestade e agora fala do meio de um redemoinho. Deus, chegando em meio à tempestade. que Jó vivenciava. mostrava que estava atento ao sofrimento pelo qual passava. O amigo poderá ler os discursos de Deus, a partir do capítulo 38 do livro que estamos estudando.
O discurso começa com um desafio: Jó é chamado a responder: “Quem é este. que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os teus lombos como homem, pois eu te perguntarei e tu me farás saber.” A imagem utilizada por Deus foi extraída do antigo esporte popular conhecido como a luta do cinturão. Esta figura é especialmente aplicável a este contexto, porque este tipo de luta também era usado como prova no tribunal e é exatamente por meio de provas que o caso de Jó estava sendo resolvido.
A palavra utilizada por Deus descreve o homem não na sua fragilidade, mas na sua força: o homem como combatente. A prova para a qual o Criador desafia sua criatura é o teste da sabedoria. Lendo o texto percebemos que muitas dessas perguntas que Deus fez tratam do poder executivo, o poder da criação. Deus chama a atenção para a sabedoria insondável do Criador exibida por toda parte: na terra, nos céus e no reino animal.
A lista é variada, sem nenhuma ordem rigorosa. Começa com alguns elementos cósmicos, avança para fenômenos meteorológicos e termina com animais e aves. O cavalo parece ser o único animal domesticado mencionado e é a sua majestade e não a sua sensibilidade que é destacada. Com esta exceção, todas as criaturas mencionadas estão além do controle dos homens.
Enquanto as perguntas aconteciam, Jó ficava impressionado com a imensidão da sua própria ignorância e competência. Onde estavas tu, é a grande interrogação. Ela aponta para o fato da não existência de Jó na criação. Sua ignorância era sobre a forma como a terra foi estabelecida; sobre como o mar foi encerrado; sobre o modo como os dias da terra estavam sendo controlados pelo ciclo da madrugada e das trevas; e também atestava que Jó nunca havia sondado as profundezas do mar e nem medido a largura da terra.
O que Deus estava querendo mostrar é que, para se qualificar como diretor e juiz da vida humana sobre a Terra, deve-se ter a capacidade de controlar os corpos celestiais que governam a terra. Jó, dizia Deus, não tinha o controle sobre as águas no que se refere a se, onde, quando ou como elas se precipitarão. O relâmpago não se apresentará diante dele como um servo obediente nem tem ele a mais remota influência sobre os sinais periódicos dos céus.
Em seguida, Deus, ainda através das suas perguntas, faz Jó perceber que as criaturas selvagens estão além do controle humano e dá alguns exemplos: leões e corvos não são aproveitáveis nem sujeitos à benevolência do homem; as cabras monteses não recebem o cuidado solícito do criador de gado; o homem não pode montar o jumento selvagem e esquivo e nem o boi selvagem é indomável sob o seu jugo. A estúpida avestruz ri dos orgulhosos cavaleiros e o cavalo zomba dos exércitos humanos.
A última parte do discurso dirige os olhos de Jó para cima, para o trono do Criador, para o falcão e a águia. Um renomado comentarista acrescenta: “eis aqui a vaidade de todos os esforços da sabedoria humana - que o homem se reduz a alimento da criação subumana. Até os animais selvagens riem-se dos esforços culturais do homem”, registra ele.
O primeiro encontro da prova está para ser decidido: Deus exige que Jó admita a derrota, perguntando: o que contende com o Todo-Poderoso se renderá? Vamos conferir: acaso quem usa de censuras contenderá com o Todo- Poderoso? Quem assim argüi a Deus, que responda.”
Em seus momentos de crise, Jó havia apelado ao Senhor pedindo que Ele o ouvisse. Deus atendeu a seu pedido. O que Jó tem para dizer agora?
Este discurso desperta em Jó um senso de reverência diante da beleza e da ordem do mundo. O orgulho do patriarca é abatido. Aproximamo-nos agora da resposta humana à palavra divina. Aquele encontro e palavras foram existenciais para Jó.
O Pr. David Baêta Motta comenta: Jó é conduzido a um tipo genuíno de conversão: mudança de mente em relação ao Deus vivo e de poder infinito. Jó se converte da visão religiosa limitada para a visão verdadeiramente religiosa que é ilimitada quanto a Deus. Quando isso acontece, Jó alcança a felicidade interior. Seus problemas ainda existiam, sua dor física era presente, mas algo havia modificado a vida de Jó: ele havia estado na presença de Deus e reconhecido a Sua majestade. Se tivéssemos tido oportunidade de entrevistar Jó depois do seu encontro com o Criador e perguntado a ele se preferia não haver sofrido todos aqueles males, o patriarca, certamente, nos diria: não, eu não trocaria esta compreensão que agora tenho por qualquer outra circunstância.
Vale, então, um momento de reflexão: nossas crises e sofrimentos nos revelam algo de novo a respeito do nosso Deus?


A luz resplandece nas trevas ,, em algum momento isso acontece .