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O SOFRIMENTO HUMANO E A SABEDORIA DE DEUS

Prosseguimos no estudo do livro de Jó e chegamos ao capítulo onze, que nos apresenta a fala de mais um dos amigos do patriarca, desta feita Zofar. Os dois outros visitantes haviam realçado diante do sofredor a santidade e a justiça de Deus, na tentativa de encontrar uma explicação para o mal que acometera Jó. Agora, Zofar se posiciona para o discurso tendo em mente mais um dos atributos inegáveis de Deus: a sua sabedoria. É bom ter em mente que o livro de Jó pertence à literatura conhecida como sapiencial, na companhia de Provérbios e Eclesiastes.

Claro está que santidade, justiça e sabedoria são efetivamente descritivos da natureza do Criador e com isso concordamos. O que não estava correto é acusar Jó de haver agido mal e assim estar sendo punido por Deus, que, na opinião daqueles três, teria somente se valido da sua Onipotência e Onisciência.

Com Zofar temos o clímax da condenação do primeiro ciclo de discursos. Ele é o mais rigoroso dos três oradores, e não encontramos sequer um sopro de compaixão na sua fala. Ele exagera: acusa Jó de ser tagarela, justo em seus próprios méritos, convencido e recalcitrante. Ao chamá-lo de tagarela, nos dá a impressão de querer subentender que, mesmo se a conduta prévia de Jó fosse inculpável, seus recentes discursos já não o seriam. Para Zofar, Jó havia-se excedido: “Porventura não se dará resposta a esse palavrório? Acaso tem razão o tagarela? Será o caso de as tuas parolas fazerem calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? pois dizes: a minha doutrina é pura, e sou limpo aos seus olhos.” (Jó 11:2-4)

Zofar aventura-se a modificar a teoria dos que o antecederam, quando diziam que a aflição seria sempre na proporção direta dos pecados cometidos. Para ele, Deus afligira a Jó desproporcionalmente às suas iniquidades. Vai além: se Jó havia apelado à onisciência divina vindicando a sua inocência, ele, Zofar, também o fazia, mas para que Jó fosse convencido, por Deus, do seu pecado. “Oh! falasse Deus e abrisse os seus lábios contra ti.” (Jó 11: 5). Para Zofar, somente Deus poderia resolver a questão. Nisso estava certo: uma palavra da parte de Deus seria necessária, pois somente a Sua sabedoria abundante poderia revelar os segredos da sabedoria.


Verificamos, então, que a desaprovação de Zofar nos mostra quão pouco ele escutou o coração de Jó! Seus amigos não foram capazes de entender-lhe a angústia enquanto procuravam a solução para os males que o afligiam. Meu amigo, temos estado dispostos a escutar o coração das pessoas que procuram em nós ajuda para a solução dos seus problemas?

A resposta de Jó marca o fim deste primeiro ciclo de discursos e inicia o segundo. Agora, com maior controle das suas emoções, discursa longamente apresentando maior clareza e lucidez no pensamento. Revela-se um observador honesto, um pensador exuberante. A mente atordoa-se diante da imensidão do seu conceito de Deus. Francis Andersen acrescenta: “a pequena deidade na teologia de Elifaz, Bildade e Zofar é facilmente considerada e criada. Mas uma fé como a de Jó coloca o espírito humano numa tarefa que exige esforço.”

Meu leitor, o sofrimento imenso que enfrentava o estava impulsionado na direção de descobertas, pois sua atenção estava voltada para Deus e não para os resultados das ações de Deus. Devemos imitar-lhe o exemplo permitindo que as vicissitudes que enfrentamos ao longo da nossa vida nos conduzam a maior revelação de Deus.

Este discurso de Jó, diante ainda dos três visitantes, está registrado a partir do capítulo 12 e vai até o versículo 22 do capítulo 14. Na primeira parte, critica severamente as palavras dos amigos, em seguida, reafirma a sua própria justiça e termina a sua fala apelando para Deus.

A doutrina dos três amigos em relação à sabedoria de Deus é o senso comum; toda a criação a ensina. Isso efetivamente não era novidade para Jó e para ele, a pretensa defesa que faziam de Deus era, na verdade, uma ofensa a Deus. Eles estavam estabelecendo um princípio abstrato como se fosse absoluto e fazendo isso, colocavam Deus como a eles subordinado. Por isso, o patriarca faz lembrar aos promotores que, no processo de condená-lo, eles também estavam diante desse Juiz. Suas falsas acusações certamente não poderiam inocentá-los.

Jó insistia que Deus o tinha afligido, embora soubesse ser ele justo. Por isso, desdenhando a ignorância arrogante dos seus conselheiros, declara sua retidão e apela diretamente a Deus. Ele desejava entender como aquela situação estava relacionada com a sua vida e para que isso pudesse compreender, era necessário que mantivesse um relacionamento correto com Deus. Ele desejava ter o entendimento pleno dos caminhos de Deus.

No meio desse apelo uma nova esperança desponta na alma de Jó: a esperança da vida além do Sheol! Sua fé começa a se firmar, apesar da situação em que se encontrava. Deseja comparecer diante de Deus pois, para ele, a presença divina era o lugar evitado por quem abrigava a culpa. Ele não errara, poderia estar diante de Deus sem temor. “Tenho já bem encaminhada minha causa, e estou certo de que serei justificado.” Jó 13: 18

O sofrimento humano encarnado na vida de Jó leva o homem a grandes descobertas quanto à sabedoria divina, o que acontece quando ele coloca a sua atenção em Deus e não no sofrimento.

Que lições preciosas Jó nos deixou! Entender os caminhos de Deus através do crescimento no conhecimento dEle, apesar de toda e qualquer circunstância que estejamos enfrentando, é um grande desafio. Pode ser que neste momento o amigo esteja passando por situações difíceis, que não podem ser compreendidas e até mesmo assimiladas. Gostaria de convidá-lo a seguir os passos de Jó. Pedir ao Senhor deste Universo que se revele através desta circunstância, que o conduza para a verdadeira sabedoria, aquela que certamente vai acalmar o seu coração e ajudá-lo a crescer na fé, como aconteceu com Jó.

 
 
 

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