“OAMOR DE CRISTO NOS CONSTRANGE”

Ensinos sobre enfrentamento da tribulação e sobre reconciliação, santidade e amizade.


2 Coríntios 5-7


No mundo atual se cultua o corpo. Busca-se preservar a sua aparência, através das maquiagens, das cirurgias plásticas e dos “milagres” do laser, do botox e do silicone.


O apóstolo Paulo não buscava a absorção do corpo por parte do divino. Não ansiava a um Nirvana- quietude ou serenidade perpétua. Não aguardava a liberdade de um espírito desencarnado. Ele declara o seu corpo uma tenda, sinalizando a compreensão que tem da sua transitoriedade. Ele sabia-se um passageiro da vida, sendo conduzido à vida plena.


Aguarda um novo corpo, um corpo espiritual, no qual e com o qual poderá adorar e servir ao Senhor, porém compreende que já tem a oportunidade em fazê-lo desde já, porque a percepção paulina detecta o Espírito Santo como a primeira injeção propulsora da vida. É o marco inicial, permanente e progressivo, que recria a vida (ou inaugura a nova vida).


Sendo assim, o apóstolo tem um pé neste tempo e o outro na eternidade. Seu corpo está sobre a terra, porém seu coração está no céu. Conscientes desta transformação por que passamos, apreciada pelo apóstolo, examinemos o posicionamento cristão, ante as dificuldades da vida.

COMO O CRENTE REAGE À TRIBULAÇÃO

Nem tudo é um céu de anil! Quantas perturbações sobrevêm à vida do crente! Se o sol nasce para justos e injustos, também as catástrofes vitimizam a todos, indistintamente. Não sei por que alguns crentes declaram-se imunes a elas, se o Senhor Jesus Cristo afirmou: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham bom ânimo!” (João 16. 33b).


Paulo conheceu, bem de perto, grandes sofrimentos, no entanto sentia-se fortalecido pela atuação do Espírito Santo (II Coríntios 5. 5). Como reagir as indesejadas, mas inevitáveis perturbações?


1- O crente reage à tribulação com fé – O apóstolo vai semeando nos corações dos crentes um argumento basilar, ou seja,”o justo viverá pela fé”. Tema que será recorrente em outras de suas epístolas, mais particularmente na Carta aos Romanos.


O apóstolo João reforça esta assertiva ao afirmar: “... e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (I João 5. 4b). Paulo confiava na proteção divina e relatava a comunhão espiritual que mantinha com Deus e que o fazia vitorioso sempre no Senhor.


2-O crente reage à tribulação com coragem – Ao deixar bem claro que há um desejo e esforço intensos, em agradar a Deus, Paulo estava combatendo os hereges de Corinto, falsos líderes que se haviam infiltrado na igreja.


O apóstolo desafia os crentes a viver uma vida de compromisso com Cristo. Ele é contundente em afirmar que o amor de Cristo é o que o motiva. Constrangido pelo amor, é encorajado sempre a prosseguir.


3-O crente reage à tribulação, esforçando-se para agradar a Deus- A experiência cristã é vivida com coragem, mas também requer de cada crente esforço. Há desafios, é certo. Queremos em tudo, no entanto, agradar a Ele. E isto exige envolvimento!


A apresentação do tribunal de Cristo empresta maior gravidade à questão do esforço humano, “... para que cada um receba retribuição pelo que fez por meio do corpo, de acordo com o que praticou, seja o bem, ou o mal” (II Coríntios 5. 9 e 10).


Não se trata da salvação através de obras, contra o que todo o pensamento paulino se insurge. Trata-se, no entanto, do galardão do crente. Aliás, é bom parar um pouco e pensar muito! Como nos temos esforçado, para expressar a nossa gratidão a Deus por Cristo Jesus?


O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO


Paulo menciona a nova criação, evidenciando a radical transformação, por que o cristão passa. Isto procede de Deus. Explicando a eficácia da expiação em Cristo, que restaura a comunhão com Deus, o apóstolo aos gentios proclama, com retumbância, nossa cidadania celestial, pois “somos embaixadores por Cristo” (II Coríntios 5. 20). A tônica da nossa mensagem é a pregação da Palavra. Jesus é a Palavra de perdão. A mão de Deus estendida à reconciliação de todo aquele que nEle crê.


A DEDICAÇÃO DO APÓSTOLO AO SEU MINISTÉRIO


Discorrendo sobre o valor da graça de Deus, Paulo se vê (bem como a todos os crentes) cooperador de Deus. Afirma que o tempo de hoje é o dia aceitável, o dia da salvação. É um cooperador, porém se reconhece servo, que zela para não provocar escândalo algum. Paulo menciona uma trajetória turbulenta (angústias, chicoteamentos, prisões, tumultos, noites sem dormir e jejuns). Vai relatando a vitória conquistada, mediante à atuação do Espírito Santo – divino instruidor.


Narrando as peripécias da vida, surpreende-se, ao ver como a intervenção divina vai revertendo o mal em bem, os dissabores em prazer, as aparentes derrotas em irrefutáveis triunfos. Paulo goza uma intimidade que o faz percorrer as adversidades da vida.


Em todas as circunstâncias, ainda que com dificuldades e sofrimentos, o apóstolo se vê feliz, sendo assistido em tudo por Deus e enriquecido por Ele.


UMA EXORTAÇÃO À SANTIDADE DE VIDA


A preocupação apostólica possui um tom paternal. Abre-se afetuosamente aos coríntios, mas não se sente devidamente correspondido. Sabe que o fato de se desviarem dos princípios cristãos provém de associações condenadas por Deus. “Quem com porco se mistura, farelos come”. Paulo condena a ligação dos crentes com os incrédulos.


É veemente em contrastar as impossibilidades de vincular a justiça com a injustiça, a luz com as trevas, o santuário de Deus com ídolos, Cristo com Belial (Satanás).


Recomenda-lhes, com rigor, que se afastem do meio dos incrédulos, não tocando em coisas impuras. O clamor paulino é para que os crentes se santifiquem (no corpo e no espírito, no temor do Senhor). Assim diz o Todo-Poderoso, pois serão chamados filhos e filhas de Deus (ver II Coríntios 6. 11-7. 1).


A ALEGRIA DA AMIZADE


A palavra restauradora paulina reverbera, solicitando aproximação com aqueles crentes. Declara a sua amizade para com eles, o seu amor e a sua disposição. Demonstra-se disposto até a entregar sua vida por eles. Ao transmitir a sua confiança no Senhor e na transformação que estava ocorrendo naquela igreja, Paulo extravasa sua alegria, regozijando-se pelas vitórias nas tribulações.


O apóstolo estava convencido de que as dificuldades, que atravessam juntos, na presença de Deus, redundariam em consistência maior na relação fraterna, concedendo até prazer nisso. O apóstolo não era um masoquista, mas alguém que, por experiência própria sabia e, convicto, declararia “que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”.


MAIS APLICAÇÕES PARA A VIDA


Temos uma carreira proposta a seguir. Não conhecemos o que vem depois da curva, só Deus sabe. Ao atravessarmos as tribulações- e é inevitável que elas venham, devemos ter fé, coragem e determinação, para sempre agradar a Deus.


Se o nosso coração conhece a terna paz que advém da reconciliação com Deus em Cristo Jesus, não há por que desesperar. Temos todos os motivos (e toda a capacitação espiritual), para testemunhar e viver de Jesus, o nosso salvador. É preciso ter uma vida santa, sem nos deixar corromper pelas ciladas inimigas. Trata-se de um viver diferente, de viver como crente e de carregar a nossa cruz.

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