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PARÁBOLAS E MILAGRES (Marcos 4.5)

1) A Parábola do Semeador (Mc 4:1-20) – Jesus foi o Mestre por excelência; os inimigos fecham a porta da sinagoga para Jesus, mas Ele faz da praia um cenário para acolher as multidões; Jesus faz do barco o seu púlpito; a praia era o templo e o barco o púlpito.


Por meio de parábolas, Jesus revelou o mistério do Reino de Deus; o mistério é aquilo que o homem não pode conhecer à parte da revelação divina; este mistério é revelado a uns e encoberto a outros.


A parábola do semeador é a porta da entrada para o entendimento das outras parábolas; nenhuma parábola de Jesus é tão bem conhecida quanto essa, pois ela precisa de aplicação e não de explicação. A parábola do semeador revela por que Jesus não se impressionava com as multidões que O seguiam – isto porque a maioria daquelas pessoas que seguia a Cristo não produziria frutos dignos de arrependimento.


As parábolas mencionadas em Marcos retratam a dinâmica da ação de Jesus


Corações endurecidos (Mc 4:4,15) – um coração duro é como um solo batido pelo tropel daqueles que vão e vêm; são corações inquietos e perturbados; esse ouvinte é um homem indiferente; um coração duro ouve, mas falta-lhe compreensão e entendimento espiritual; ele escuta o sermão, mas não presta atenção; a Palavra não produz nenhum efeito nele mais do que a chuva na pedra; há uma multidão que domingo após domingo vai à igreja, mas satanás rouba a semente de seus corações; um coração duro é onde a semente é pisada (Lc 8:5); um coração duro é onde a semente é roubada pelo diabo para que o ouvinte não creia e seja salvo (Lc 8:12); ouvinte à beira do caminho ouve, mas satanás arrebata a semente do seu coração; satanás é um opositor da evangelização.


Corações superficiais – três marcas – um coração superficial tem uma resposta imediata à Palavra, mas irrefletida; agem no calor do momento; um coração superficial não tem profundidade nem perseverança, isto é, não houve nascimento nem transformação de vida; houve adesão, mas não conversão; entusiasmo, mas não convicção. Um coração superficial não avalia os custos do discipulado, pois ele abraça o evangelho da conveniência; quando chegam as lutas, as provas, ele se desvia escandalizado porque não havia calculado o custo de seguir a Cristo.


Coração ocupados (Mc 4:7,18,19) – um coração ocupado ouve a Palavra, mas dá atenção a outras coisas (4:7); semente caiu entre os espinhos (ervas daninhas); os espinhos cresceram, mas a Palavra foi sufocada; um coração ocupado é sufocado pela concorrência dos cuidados do mundo (4:18,19); os cuidados do mundo prevalecem; é o crente mundano que quer servir a dois senhores; um coração ocupado é sufocado pela concorrência da fascinação da riqueza (4:18,19), pois o dinheiro é o seu Deus; um coração ocupado é sufocado pela concorrência de muitas ambições – obcecado pelos prazeres da vida; é um hedonista. Um coração ocupado é infrutífero (4:7,19).


Corações frutíferos (4:8,9,20) – ouvem com bom e reto coração e também retém a Palavra; ouvem com o coração aberto, disposto, com o firme propósito de obedecer; eles colocam em prática a mensagem e por isso frutificam. Um coração frutífero produz fruto que vinga e cresce (4:8,9); aqui a semente não apenas nasce e cresce, mas o fruto vinga e cresce; frutifica com perseverança; sua riqueza está no céu e não na terra, seu prazer está em Deus e não nos deleites da vida. Um coração frutífero produz frutos em diferentes proporções (4:9,20).


2) O poder da Palavra para iluminar a todos (Mc 4:21-25) – a Palavra é simbolizada pela semente e pela lâmpada; a verdade não é para ser escondida; o mistério do reino deve ser revelado e não escondido.

Implicações dessa parábola: nós devemos proclamar a verdade do reino para os outros (4:21,22); não podemos enterrar nossos talentos nem esconder a nossa luz; o Reino de Deus não é uma religião de mistério nem uma doutrina fechada; o filho do reino precisa ser um embaixador do reino; a igreja é o método para alcançar o mundo.


A verdade jamais pode ficar escondida (4:22); nós devemos refletir sobre o que nós ouvimos (4:23) – pela pregação da Palavra, a glória de Deus é manifesta, a fé é alimentada e o amor praticado; devemos ser cautelosos no julgamento alheio (4:24); devemos fazer uso diligente dos privilégios espirituais (4:25) – a maneira de termos uma vida cristã robusta é exercitarmos o que recebemos, aproveitando as oportunidades.


O poder intrínseco da Palavra para frutificar nos corações (Mc 4:26-29) – esta parábola foi contada por Jesus para encorajar os seus discípulos; a semente é a Palavra de Deus; embora o semeador não veja inicialmente nenhuma evidência e resultado do seu labor, a semente trabalha por si mesma no ventre da terra; a semente tem vida em si mesma, porque ela é a Palavra do Deus vivo; o Espírito Santo trabalha eficazmente nela e através dela para a expansão do Reino de Deus. Observe o imperceptível começo do Reino de Deus (4:26); Deus dá o crescimento à semente que semeamos; o semeador não pode fazer a semente crescer (4:27) – 1 Co 3:6,7; somente Jesus pode edificar a sua própria igreja; todo esforço humano seria insuficiente para converter sequer uma vida; Deus age poderosa, misteriosa e inexplicavelmente na implantação do seu reino; o progressivo desenvolvimento do Reino de Deus (4:28) – a Palavra de Deus pela operação do Espírito Santo gera transformação e vida; a semente cresce automaticamente; a semente cresce inevitavelmente (4:27,28); a semente cresce gradualmente.


O poder da Palavra para crescer (Mc 4:30-32) –esta parábola mostra o resultado de um crescimento abundante; ela revela o crescimento do poder extraordinário da Palavra; o progresso no Reino de Deus; o Reino de Deus começa pequeno como uma semente de mostarda (4:31); grandes resultados desenvolvem-se a partir de pequenos começos (4:32); não podemos desprezar o dia dos pequenos começos (Zc 4:10); a parábola do grão de mostarda é a história dos contrastes entre um começo insignificante e um desfecho surpreendente; a igreja cresceu a partir de Pentecostes de forma colossal; a igreja continua crescendo em todo o mundo.


3) Surpreendidos pelas tempestades da vida (Mc 4:35-41) –Jesus passara todo o dia ensinando à beira-mar sobre o Reino de Deus; ao fina da tarde Ele dá uma ordem para os discípulos entrarem no barco e passarem para a outra margem, para a região de Gadara, onde havia um homem possesso.


Como são as tempestades da vida? As tempestades da vida são inesperadas; as tempestades não mandam telegrama; como seguidores de Cristo devemos estar preparados para as tempestades que certamente virão; as tempestades da vida são perigosas; as tempestades da vida não são administráveis; os discípulos se esforçaram para contornar o problema, para saírem ilesos da tempestade; eles não puderam enfrentar a fúria do vento; as tempestades da vida são surpreendentes; muitas das vezes as tempestades acontecem daquilo que é ordinário e comum em nossa vida e colocam tudo de cabeça para baixo.


Os conflitos que enfrentamos nas tempestades da vida – observe que os discípulos estavam no centro da vontade de Deus e ainda enfrentaram ventos contrários; devemos conciliar a obediência a Cristo com a tempestade; devemos conciliar a tempestade com a presença de Jesus; o fato de Jesus estar conosco não nos poupa de certas tempestades; devemos conciliar a tempestade com o sono de Jesus; podemos ter a sensação de que Jesus está dormindo, porém ele está bem acordado; ler o Salmo 121.


As grandes perguntas feitas nas tempestades da vida – os discípulos indagaram de Jesus – “Mestre, não te importa que pereçamos”? (4:38) – essas palavras mais expressam um crítica que um pedido de ajuda; às vezes é mais fácil reclamar de Deus do que depositar nossa ansiedade aos Seus pés e descansar na sua providência; esse grito evidencia alguma fé, pois se os discípulos estivessem completamente sem fé, eles não teriam apelado para Jesus; esse grito evidencia uma fé deficiente; mesmo dormindo, Jesus sabia da tempestade e das necessidades deles; havia deficiência de fé na convicção do cuidado de Jesus; a pergunta de Jesus foi: “Por que sois tão tímidos? Como é que não tendes fé”? Os discípulos falharam no teste prático e revelaram medo e não fé; onde o medo prevalece, a fé desaparece; os discípulos se entregaram ao medo porque se esqueceram que Jesus estava com eles.


Os discípulos deveriam ter fé e não medo, por quatro razões: a promessa de Jesus (4:35); a presença de Jesus (4:36); a paz de Jesus (4:38); o poder de Jesus (4:39).


“Quem é este que até o vento e o mar Lhe obedecem? (4:41) – aprendemos mais na tempestade do que nos tempos de bonança; através da tempestade os discípulos teriam uma visão mais clara da grandeza singular de Jesus. Jesus é o mestre supremo que veio estabelecer o Reino de Deus (4:34,38); Jesus é perfeitamente homem (4:38), pois o sono mostrou sua perfeita humanidade; Jesus é perfeitamente Deus (4:39), pois o vento ouve a sua voz; Jesus é o benfeitor desconhecido (4:36), já que outros pessoas que enfrentavam a mesma tempestade naquele mar, seguindo a caravana em outros barcos, foram beneficiadas sem saber que a bonança fora intervenção de Jesus; Jesus é aquele que tem toda autoridade para libertar o aflito (4:39,41); a intervenção soberana de Jesus, às vezes, acontece quando todos os recursos humanos acabam; as provas não vêm para nos destruir, mas para nos fortalecer; as grandes lições da vida nós as aprendemos nas tempestades.


4) Quanto vale uma vida – Mc 5:1-20 –Jesus fez um alto investimento na vida do homem de Gadara; ele enfrentou a fúria do mar e depois a fúria desse homem possesso; interessante que todos já haviam desistido dele, menos Jesus; Satanás roubou tudo de precioso que aquele homem possuíra: família liberdade, saúde física e mental, dignidade, paz e decência.

O que satanás faz pelas pessoas? Ele domina as pessoas através da possessão (5:2,9).


Quais são as características de uma pessoa endemoninhada? A pessoa tem dentro de si uma entidade maligna (5:2,9); manifesta uma força sobre-humana (5:3,4); tem frequentes acessos de raiva (Mt 8:28); perde o amor-próprio (5:3,5); uma pessoa possessa pode revelar conhecimento sobrenatural por clarividência e adivinhação (5:6,7).

Satanás arrasta as pessoas para a impureza (5:2,3a); satanás torna as pessoas violentas (5:3,4); ele atormenta as pessoas (5:5); há muitas pessoas hoje atormentadas, inquietas e desassossegadas, vivendo nas regiões sombrias da morte, sem família, sem liberdade, sem dignidade, sem amor-próprio, ferindo-se a si mesmas e espalhando terror aos outros.


O que a sociedade pode fazer pelas pessoas? A sociedade afastou esse homem do convívio social (5:3,4); a sociedade acorrentou esse homem (5:3,4); a sociedade não tem poder para resolver o problema do pecado nem libertar as pessoas das garras de satanás; somente o evangelho transforma; somente Jesus liberta; a sociedade deu mais valor aos porcos do que a esse homem.


O que Jesus faz pelas pessoas?Jesus libertou esse homem da escravidão dos demônios (5: 6-15); Jesus devolveu a esse homem a dignidade da vida (5:15); o homem estava assentado aos pés de Jesus (5:15); o homem estava vestido (5:15); o homem estava em perfeito juízo (5:15); Jesus dá a esse homem uma gloriosa missão (5: 18-20); nosso primeiro campo missionário precisa ser o nosso lar.


Neste milagre verificamos que há três pedidos, três orações – Jesus atendeu ao pedido dos demônios (5:10,12); este pedido foi aceito por Jesus para mostrar o potencial destruidor que agia naquele homem; para revelar àquele homem que o poder que o oprimia tinha sido vencido; para mostrar à população de Gadara que para satanás um porco tem o mesmo valor que um homem; para revelar a escala de valores dos gadarenos; Jesus também atendeu ao pedido para mostrar que os demônios estão debaixo da Sua autoridade.


Jesus atendeu ao pedido dos gadarenos (5:17) – os gadarenos expulsaram Jesus da sua terra; eles rejeitaram Jesus, mas Jesus não desistiu deles; Jesus enviou para meio deles um missionário; o Senhor não nos trata de conformidade com os nossos pecados.


Jesus indeferiu o pedido do gadareno salvo (5:18-20) –a família precisa ser o nosso primeiro campo missionário; não estaremos credenciados a pregar para os de fora, se ainda não testemunhamos para os da nossa própria família.


Bibliografia:

1) Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – CPAD – 2003

2) Bíblia Brasileira de Estudo – Editora Hagnos – 2016

3) Bíblia de Estudo da Reforma – Sociedade Bíblica do Brasil – 2017

4) Bíblia Shedd – Antigo e Novo Testamento – Edições Vida Nova – 2007

Comentário Expositivo do Novo Testamento – volume 1 – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos - 2019

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