QUESTÕES DE VIDA E DE MORTE (III)
- Ana Maria Suman Gomes

- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Nada poderia ser mais estranho ao pensamento de Jó e à religião israelita em geral, do que isolar o relacionamento com Deus como sendo a única coisa de valor para um homem, tornando-o indiferente à pobreza e insensível à dor. Pelo contrário, o relacionamento com Deus é conhecido nestas coisas comuns e por meio delas. Sem elas Jó não somente perde a sua humanidade, perde a Deus. Exatamente por esta razão foi que ele clamou: Por que nasci? É melhor morrer! A vida não vale a pena! É muito grande a minha dor!
Jó não havia sido complacente na sua prosperidade, ele tomara cuidado para não perder o favor de Deus, mas isso lhe parecia ter sido em vão pois estava sendo assolado da mesma maneira. A coisa que mais temia, a perda do favor de Deus, parecia-lhe ter acontecido, e ele não tinha a mínima idéia da razão para este acontecimento: Não posso me relaxar! e não posso me aquietar! E não posso descansar e a agitação sempre volta!, murmurava ele.
.Nos estudos seguintes, entenderemos melhor o por quê da reação de Jó. Estudaremos a respeito do que ele disse nesse momento de tanto desespero e mágoa. Sim, compreenderemos perfeitamente o que estava acontecendo com Jó e caminharemos com ele e seus amigos na busca de solução para as crises da vida.
Por hoje, pensemos a respeito de alguns pontos positivos deste desabafo de Jó.
Um ponto que merece destaque é que as palavras de Jó refletiam sinceridade, honestidade. Ele não camuflou sentimentos, não floreou o seu linguajar, não tentou omitir a realidade da sua dor. Deus honra a sinceridade do nosso coração. Ele nos ouve, Ele compreende a nossa dor e sabe por que reagimos de forma tão intensa. Aprendamos com Jó a ser sinceros com Deus, mesmo que as palavras que tenhamos para lhe ofertar sejam palavras duras, magoadas, sofridas.
Outra consideração é que Jó, em nenhum momento do seu discurso, lamenta a perda de bens materiais. Ele tinha sido um homem muito rico, sua família era enorme, o gado que possuía, numeroso. Mesmo havendo perdido todos os seus bens; Jó não reivindicou do Criador a devolução do seu quinhão. Para ele, a perda maior tinha sido da amizade de Deus, que, até este ponto do seu entendimento, era-lhe atestada pelos favores divinos.
Por fim, merece destaque a circunstância de que Deus não proibiu Jó de falar, Ele o ouviu. O mesmo acontece conosco. Pensemos nisto.


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