DEUTERONÔMIO III – OS EVENTOS FINAIS (Deuteronômio 28 a 34)

Introdução O livro de Deuteronômio registra várias transições na história do Povo de Israel tais como (i) a troca da 1ª geração de israelitas que morreu ao longo de 40 anos no deserto, para a 2ª geração, que conquista a terra de Canaã; (ii) a mudança de um Israel nômade para uma nação que possui terra e casas para morar; (iii) de uma cultura pastoril, que habitava em tendas, para uma de natureza fixa, que habita em casas; (iv) de um povo que se alimentava de maná para um povo que se alimenta de “leite e mel” e (v) de uma liderança como a de Moisés para outra, como a de Josué. Deuteronômio marca o final do Pentateuco e os últimos três capítulos do livro relatam o término da liderança de Moisés. Este sabia que não entraria na Terra Prometida. É nessa parte final do livro que encontramos suas últimas palavras e instruções ao povo de Israel. Aos 120 anos, Moisés sobe o monte Nebo de onde Deus permite que olhe a terra de Canaã ao longe. É o lugar mais perto que consegue chegar para ver a terra. É onde ele se despede não antes de falar ao povo em um período de cerca de uma semana, através de sermões que foram divididos em três partes: uma que olha para o passado, outra que olha para o futuro imediato e uma terceira, que olha para o futuro distante, quando aquela geração não mais estaria presente. Ainda o problema da idolatria Como parte de sua palavra Moisés os exorta mais de uma vez a respeito do problema da idolatria (Dt 29.17-20), prática que já havia trazido consequências nefastas para o povo e que traria outras, por conta de futuras práticas. Israel venceria no curto prazo ao conquistar Canaã, mas no futuro, seria um fracasso (Dt 31.16-18). Esta é uma mensagem que continua válida para os crentes do século XXI, pois à semelhança dos israelitas de então, muitos se afastam de Deus. Buscam outros deuses, valores, conquistas, adotam pessoas como ícones ou modelos, adotam ideologias, e propósitos, buscando interesses e coisas que muitas vezes não são ruins em si, mas que se tornam motivo de fracasso porque nada têm a ver com os caminhos do Senhor. Ou até se contrapõem à vontade Dele. É como voltar a fundir seus próprios bezerros de ouro, deuses pessoais, feitos em substituição ao Deus verdadeiro. Bênção ou maldição Alguém poderia concluir que o livro de Deuteronômio termina em certo clima de desânimo [1], pois mesmo antes dos israelitas colocarem o pé na Terra Prometida ouvem de Moisés que eles até entrariam em Canaã, mas que se corromperiam. A mensagem de que sofreriam consequências disso e que seriam espalhados por várias terras não traz nenhum encorajamento para um momento de conclusão tão solene. Moisés é instruído por Deus a escrever um canto contendo uma mensagem que sobreviveria a todas as gerações ao longo dos tempos. Este canto, registrado em Dt 30, lembra ao povo de então e às gerações futuras, incluindo os crentes hoje, quanto a não se afastarem de Deus. O canto fala da maldição de não seguir os mandamentos do Senhor, mas também fala da bênção e da vitória em segui-los. O trecho de Dt. 30.14-19 bem ilustra isso: Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires. Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; Porquanto te ordeno hoje que ames ao Senhor teu Deus, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Senhor teu Deus te abençoe na terra a qual entras a possuir. Porém se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então eu vos declaro hoje que, certamente, perecereis; não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas; Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Dt. 30.14-19). A morte de Moisés O relato Bíblico confirma que Moisés não entrou na Terra Prometida. Ele levara o povo ao lugar que Deus lhe ordenara, despendera dois terços de sua vida servindo a Deus, possuíra o perfil de líder e servo, libertara o povo do cativeiro no Egito e o conduzira pelo deserto por 40 anos. Mesmo assim, ele não poderia entrar. Encontramos o motivo na Palavra de Deus quando lemos em Dt 32.51 que diz: Porquanto transgredistes contra mim no meio dos filhos de Israel... Por desobediência, toda a geração de israelitas que saiu do Egito 40 anos antes, exceto Josué e Calebe, também é impedida de entrar. Na realidade ao longo dessas quatro décadas, a 1ª geração que saiu do Egito acaba por perecer no deserto dando lugar à 2ª geração, esta, inteiramente nascida no deserto. Esse relato nos faz lembrar que muitas vezes, o pecado nos impede de recebermos as bênçãos de Deus. No caso de Moisés, havia ainda outro motivo para ele não seguir com o povo: a necessidade dele sair de cena como líder para que Josué pudesse assumir o posto. Cinco pontos para concluir a. Deus dá ao homem a escolha de servi-lo e viver, ou desobedecê-lo e morrer (Dt 30.15-20) b. Por si próprio o homem nunca consegue merecer as bênçãos de Deus por conta de guardar a lei (Dt 5.28-29) c. Aqueles que seguem seus próprios caminhos acabam por anular as bênçãos de Deus (Dt 31.16) d. As bênçãos que recebemos do Senhor são por graça e misericórdia Dele e não por nossos méritos (Dt 30:9 e Dt 7:7-8) e. Ele nos abençoa até mil gerações (Dt 7:9) Finalizando, vale observar que Deuteronômio nos ensina que cada geração (e cada pessoa) deve fazer uma aliança de relacionamento com Deus, pois isso trará bênçãos aos que permanecerem nesse caminho. Através de Jesus podemos concretizar essa aliança. Você já fez a sua aliança com Deus?

Bibliografia: [1] From Creation to the Cross By Bob Deffinbaugh e outros Lesson 15 — Israel’s Covenant Renewal The Book of Deuteronomy www.bible.org [2] Estudo Panorâmico da Bíblia Capítulo 6 – Deuteronômio Henrietta C. Mears – Editora Vida

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