E SE TIRAREM?

E se tirarem o seu emprego? Você, que tem uma função bem remunerada, que tem vantagens conseguidas pelo suor de seu rosto (ou não), convênio médico, seguro de vida, fundo de garantia, férias etc, o que seria se lhe tirassem o emprego? Você seria a mesma pessoa de hoje, com o perfil que lhe destaca, com o mesmo temperamento, a mesma personalidade e força de vontade? O que seria de você desempregado?

E se tirarem a sua graduação? Talvez você tenha feito todo o ensino obrigatório, talvez tenha se formado numa escola técnica ou adquirido graduação acadêmica com bacharelado, mestrado, doutorado e pós-graduações diversas. Talvez seja mencionado em teses internacionais e seja solicitado para opinar em sua área de saber. Talvez tenha uma vasta e gabaritada biblioteca, fale outros idiomas e seja capaz de ter excelente remuneração merecida (ou não). Mas, e se da noite para o dia baixassem um decreto, dizendo que o seu saber já não lhe qualifica mais? E se isso ocorresse com você? Seus certificados, diplomas, graus, não valessem nada mais do que o de um ensino livre? Você ainda deteria o mesmo conhecimento e seria importante em sua área?

E se tirarem o seu poder político? Hoje você conta com um cargo de confiança, ou com um mandato legislativo ganho pela eleição. Talvez você ocupe diretorias, chefias, lideranças, assessorias e tantas outras responsabilidades, fruto de alianças políticas e de compromissos assumidos ou pagamento de apoios que deu. E se amanhã perdesse tudo? Talvez alguém lhe fosse contrário e lhe comprometesse junto às alianças e, da noite para o dia, não tivesse nem chefia, nem diretoria, nem nomeação e nem salário. Seria um novo desempregado. Como você seria? Teria alegria ainda? Teria o mesmo comportamento que mantinha diante dos outros? Ou se sentiria revoltado, deprimido, arruinado?

E se tirarem o seu patrimônio? Talvez por um escorregão nos negócios, talvez por uma hipoteca que o banco mandou executar, talvez por um empréstimo que não foi pago, talvez por uma doença que saturou o seu orçamento, talvez por uma jogada errada na bolsa de valores, talvez por um roubo ou assalto. Você ainda seria a mesma pessoa? Você teria a mesma elegância, a mesma dignidade e o mesmo sentimento de suficiência?

E se tirarem o seu ministério cristão? Talvez hoje seja um pastor, um missionário, um cantor, um conferencista, um líder em algum serviço divino. Hoje o seu celular toca e as pessoas lhe dão destaque. Hoje lhe aguardam para reuniões, lhe enviam saudações, lhe solicitam a opinião sobre assuntos e tem convites para conferências, para visitas, para lives, para todo tipo de eventos. Hoje querem tê-lo para dar destaque às festividades. Mas, e se amanhã lhe tirarem o ministério, lhe tirarem as condições para exercer a sua obra missionária, não mais lhe convidarem para eventos, para congressos ou conferências, não mais ligarem para o seu celular e esquecerem-se de que você existe, como se sentirá? Ainda manterá a sua integridade, a sua confiança e a sua esperança?

Isto é algo que ocupa o meu pensamento por muitas vezes. Eu também experimento coisas que me foram tiradas, senão por pessoas específicas, por situações que a vida nos traz. Sei o que é não ter tempo para atender a tantas necessidades e sei o que é não ter o que fazer externamente senão esperar. Sei o que é ter a opinião considerada e sei o que é ser desprezado, ainda que tenha argumentos, pois o mundo evangélico trata aos ministros num código binário: quem está dentro e quem está fora. Assim giram também as amizades e as relações. Como agir nessa hora?

Eu posso falar por mim. Não posso falar pelos outros. Eu posso falar sobre a graça que Deus me dá para enfrentar o hiato. Nunca é fácil, nunca é belo, nunca é confortável. Nenhum de nós quer sentir-se assim, à parte. Nós queremos estar a servir e a fazer o que nos dá a sensação de utilidade e de dignidade. Nós somos dignos do nosso pão de cada dia. Quando nos falta a oportunidade é um desafio. Mas algumas coisas têm sido maravilhosas nestes tempos.

1) NÓS SOMOS O QUE SOMOS - Não o somos porque temos dinheiro, porque somos graduados, porque estamos empregados, porque temos poder político. "Quem é rei nunca perde a majestade", já dizia o adágio popular. E quem é alguma coisa não o é por causa do emprego, do valor de seu diploma, da indicação que recebeu ou da oportunidade que se lhe apresenta. O Apóstolo Paulo estava sem função em Tarso. Mas Barnabé foi buscá-lo e encontrou alguém que era altamente qualificado. Ele não tornou-se capaz depois da demanda; ele o era. Assim, não dependemos de emprego, de poder, de graduação ou de qualquer outra coisa para sermos o que somos. Nós somos aquilo que é fato em nós. Se mudarmos após perdermos algo é porque não era de verdade.

2) O NOSSO VALOR ESTÁ DENTRO DE NÓS - Eu costumo dizer que cão que precisa de "pedigree" não é de raça. Isto significa que quem assina com a nomeação de todas as suas graduações, profissões, funções e saberes, na verdade carece de realidade. Quem é alguma coisa não ostenta, não busca o reconhecimento. Ele o é e fim de papo. Não é preciso mais do que cinco minutos para que, numa conversa, saibamos se o nosso interlocutor é sábio ou ignorante, se é sensato ou louco, se é cristão ou ateu. A luz que há em nós deve brilhar de dentro para fora. Se somos alguma coisa acabaremos por mostrá-la cedo ou tarde. Não somos algo porque vestimos o uniforme ou porque nos deram uma função; somos porque dentro de nós há valores que assim nos fazem.

3) CONFIANÇA EM DEUS - Quando nos tiram tudo ou quando a vida nos leva todas as possibilidades a sensação de dignidade, podemos confiar no Senhor, que jamais nos abandona. Um verdadeiro amigo é aquele que fica quando todos os outros vão embora. Deus fica conosco nas horas em que tudo nos é tirado. Podem nos levar tudo, mas não levarão os valores divinos nos quais a nossa alma e o nosso coração foram formados. Ninguém poderá tirar a nossa esperança, a nossa confiança, a nossa fé e a nossa fidelidade ao Senhor. Ainda que tudo mude e ainda que tudo desapareça, nós podemos confiar no Senhor Todo-Poderoso, que jamais nos deixará solitários ou em condições impossíveis de serem suportadas. Ele sabe até onde a nossa corda pode ser esticada. E estará sempre atento, tomando-nos nos braços se a corda se arrebentar.

Portanto, ainda que nos tirarem tudo, ainda que percamos emprego, graduação, poder político ou econômico, ou ainda que não sejamos mais requisitados nos diversos ministérios cristãos, Deus continuará conosco e nos dará um porvir maravilhoso, seja num segundo tempo que pode ser melhor do que o primeiro (Jó está aí para comprovar isso, quando o seu segundo estado foi mil vezes melhor do que o primeiro), ou seja na glória celestial, quando receberemos a nossa salvação e o nosso galardão eterno.

Bendito seja Deus.

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