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ENSINOS E EXEMPLOS (Marcos 12)

Nesta lição vamos estudar a parábola dos agricultores maus, a questão do tributo; os saduceus e a ressurreição; o primeiro de todos os mandamentos; o Cristo, filho de Davi; Jesus critica os escribas e a oferta da viúva pobre.

Uma parábola de Jesus sobre o amor rejeitado (Mc 12:1-12) – podemos extrair lições desta parábola; em primeiro lugar, o privilégio de Israel, o povo amado de Deus (12:1); lembre-se que em estudo anterior Jesus entrou no templo, purificou-o e discutiu a questão da autoridade no templo; agora temos a parábola da vinha que também gira em torno de Jesus.

Israel é a vinha de Deus; entenda que o Senhor chamou este povo não por ser o mais numeroso, mas por causa do seu amor incondicional; Deus cercou Israel com o seu cuidado; libertou, sustentou, guiou e o abençoou; Deus plantou essa vinha; nenhuma família debaixo do céu recebeu tantos privilégios quanto a família de Abraão - "De todas as famílias da terra, só escolhi vocês. Por isso devo castigá-los por todos os seus pecados" - Amós 3:2.

Deus também tem revelado a nós o Seu amor sendo nós pecadores; nada merecemos de Deus, e ainda assim, Ele demonstra a nós Sua imensa bondade e misericórdia.

Em segundo lugar, Deus tem direito de buscar frutos na vida do Seu povo (12:2) – é importante saber que a graça nos responsabiliza; Deus esperava frutos de Israel; Israel tornou-se videira brava (Is 5:1-7); Israel só tinha folhas e não frutos; Deus nos escolheu em Cristo para darmos frutos - Quando vocês produzem muitos frutos, trazem grande glória a meu Pai e demonstram que são meus discípulos de verdade - João 15:8.

Em terceiro lugar, a rejeição contínua e deliberada do amor de Deus (12:3-8) – os profetas foram levantados por Deus para falar à nação de Israel, mas eles rejeitaram a mensagem, perseguiram e mataram os mensageiros - No entanto, eles zombaram dos mensageiros de Deus e desprezaram suas palavras. Caçoaram dos profetas até que a ira do Senhor não pôde mais ser contida e nada mais se pôde fazer - 2 Crônicas 36:16; quanto mais Deus demonstrava a eles o seu amor, mais o povo se afastava de Deus e endurecia sua cerviz.

Em quarto lugar, o juízo de Deus aos que rejeitam seu amor (12:9-11) – os líderes religiosos interpretaram corretamente a parábola de Jesus, mas não se dispuseram a obedecer a Jesus; endureceram o seu coração e buscaram uma forma de eliminar Jesus.

A questão do tributo – uma plano malfadado para apanhar Jesus em contradição (12:13-17) – a abordagem ao Mestre nos propicia algumas lições, a saber:

As forças opostas se unem para atacarem Jesus (12:13) – os fariseus e herodianos eram inimigos irreconciliáveis; estavam em lados opostos, mas quando se tratou de condenar Jesus, eles se uniram.

A bajulação é uma arma do inimigo (12:14,15) – observem que os inimigos de Jesus rasgam-lhe desabridos elogios, numa linguagem insincera e hipócrita; Jesus, porém, tira a máscara de Seus inquisidores e expõe sua hipocrisia.

Uma pergunta maliciosa (12:12-14) – os fariseus e herodianos estavam seguros de que qual fosse a resposta de Jesus, Ele estaria em situação embaraçosa; respondendo “sim”, o povo estaria contra Ele, pois seria visto como alguém que apoia o sistema romano idólatra; se respondesse “não”, Roma estaria contra Ele e os herodianos se apressariam em denunciá-lo às autoridades romanas, acusando-o de rebelião.

Uma resposta desconcertante (12:16,17) – repare que Jesus não absolutiza o poder de Roma nem isenta de responsabilidade o povo do seu compromisso com Deus; somos cidadãos de dois reinos; devemos lealdade tanto a um quanto ao outro; devemos pagar nossos tributos, bem como devolver o que é de Deus; um detalhe que sobressai neste episódio é que Jesus não responde à pergunta dos fariseus e herodianos; Ele ordena com o imperativo “dai”; a implicação é de que o tributo é uma dívida; Jesus reconhece que o imperador tem direitos e que o cidadão tem deveres para com o governo em troca de benefícios recebidos; em resumo, Jesus diz para os orgulhosos fariseus a não se omitirem em seu dever com César e aos mundanos herodianos a não se omitirem em seu dever com Deus.

A questão da ressurreição – os saduceus (12:18-27) – agora os saduceus esperam ter sucesso numa pergunta teológica, quando a armadilha política falhou; lições que esta passagem bíblica nos ensina:

O perigo de os hereges assumirem a liderança religiosa da nação (12:18) – os saduceus formavam a classe aristocrática da religião judaica; muitos deles eram sacerdotes e ricos; contrariamente aos fariseus, que aceitavam tanto a lei escrita, quanto a lei oral, eles só aceitavam o Pentateuco e negavam as tradições orais; os saduceus se sentiam ameaçados pelas ações de Jesus no templo, pois o poder deles e a manutenção de sua riqueza dependiam do templo; os saduceus seriam os liberais de hoje; eles eram tidos como os intelectuais da época, mas negavam os fundamentos essenciais da fé.

Uma pergunta maliciosa (12:19-23) – os saduceus fazem uma pergunta, usando um caso hipotético e absolutamente improvável, referindo-se à prática do levirato; a pergunta hipotética deles não era sincera; eles nem acreditavam na doutrina da ressurreição; eles estavam propondo um enigma para Jesus para colocá-lo num beco sem saída.

Uma resposta esclarecedora (12:24-27) – observe que Jesus sinaliza para vários fatos importantes: a primeira é que a heresia é consequência do desconhecimento das Escrituras, bem como do poder de Deus; as igrejas mais consistentes na vida e no testemunho são aquelas que estão comprometidas com a Palavra de Deus; a segunda coisa é que a morte coloca um fim no relacionamento conjugal; o casamento é uma relação apenas para esta vida; não existe casamento eterno; a terceira coisa é que a morte, porém, não coloca um fim ao nosso relacionamento com Deus; Jesus corrige a teologia distorcida dos saduceus que entendiam ser a morte um sinônimo de extinção.

O primeiro dos mandamentos (12:28-34) – Jesus silencia os saduceus e fariseus e agora um escriba se aproxima do Mestre para o interrogá-lo; a resposta de Jesus é magnífica; a resposta de Jesus não é um pensamento novo, mas uma recordação daquilo que todo homem judeu pronunciava a cada manhã e a cada noite, o shema (Dt 6:4-6); Jesus sintetizou a lei no amor e não em preceitos e rituais; amor a Deus e ao próximo é o fim último da lei; uma constatação iluminadora, pois mediante a resposta de Jesus, o escriba compreendeu que o amor é mais importante que todos os holocaustos e sacrifícios; uma afirmação surpreendente, pois Jesus disse que aquele escriba não estava longe do Reino de Deus.

A pergunta de Jesus – Cristo, o filho de Davi (12:35-37) – Jesus passa de inquirido a inquiridor; Ele começa a interrogar os escribas; a pergunta agora é sobre Jesus; quem é Ele? Alguém já disse que esta é a maior questão porque se nós estivermos errados sobre Jesus, estaremos errados sobre a salvação, perdendo, assim, nossa própria alma; Jesus está indo para a cruz, mas sabe que é o Filho de Davi, o Messias prometido, cujo reinado não tem fim.

A advertência de Jesus – a crítica aos escribas (12:38-40) – cuidado, pois Jesus condena o exibicionismo religioso; os escribas tentavam demonstrar sua espiritualidade no vestuário e nas palavras; eles gostavam de aparecer, por isso tomavam as primeiras cadeiras nas sinagogas; cuidado, pois Jesus desmascara a hipocrisia religiosa (12:40); os escribas devoravam as casas das viúvas; as mulheres viúvas não eram emancipadas perante a lei, precisavam do auxílio de um homem para administrar legalmente o inventário do marido morto; os professores da lei, versados no direito, em vez de defender a causa das viúvas, roubavam os seus bens; eles eram gananciosos; cuidado, em face do juízo inevitável proclamado por Jesus (12:40); os escribas sofrerão maior juízo, porque eles eram os doutores da lei; eles tinham profundo conhecimento da verdade; eles eram mestres.

A observância de Jesus – A oferta da viúva pobre (12:41-44) – Jesus observa aqueles que vão ao gazofilácio (12:41); Jesus não apenas está presente no templo, mas Ele observa os adoradores; Ele vê o coração e o bolso; Jesus não Se impressiona com quantidade, Ele espera proporcionalidade (12:41-44); a questão não é o quanto damos, mas quanto retemos; o dízimo não é sobra, é primícia; o dízimo não é oferta, é dívida; o que é desprezível aos olhos humanos, é grandioso aos olhos de Deus (12:44); a confiança da viúva estava no provedor e não na provisão; Jesus não vê apenas o que temos em nossas mãos, mas o que trazemos em nosso coração; na matemática de Deus o pouco pode ser muito e o muito pouco; na matemática de Deus o que conta não é a quantidade mas a fidelidade, a prodigalidade do amor.

Bibliografia:

1) Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – CPAD – 2003

2) Bíblia Brasileira de Estudo – Editora Hagnos – 2016

3) Bíblia de Estudo da Reforma – Sociedade Bíblica do Brasil – 2017

4) Bíblia Shedd – Antigo e Novo Testamento – Edições Vida Nova – 2007

Comentário Expositivo do Novo Testamento – volume 1 – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos - 2019

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