HÁ DIVERSIDADES DE DONS, MAS UM SÓ ESPÍRITO

Ensinos sobre dons espirituais, a supremacia do amor e avivamento

1 Coríntios 12 e 13 e 14


Neste estudo, percorreremos três capítulos, ressaltando os dons espirituais. Estava ocorrendo outro tipo de desordem na igreja de Corinto. Não são os dons que provocavam perturbações, muito pelo contrário. Eles se prestavam à edificação da igreja. Alguns excêntricos membros estavam evidenciando problemas, cujo nascedouro era seus próprios corações. O apóstolo os esclarece quanto à procedência do poder. O Espírito Santo vai conduzir sempre à glória de Deus.


A distinção era nítida. Na sinagoga, as orações incluíam maldições aos hereges e aos apóstatas. Para os judeus, Jesus era maldito, ou seja, anátema (ver Gálatas 3. 13). Defendendo-se ante o rei Agripa, o discurso paulino narra a sua própria experiência, forçando os crentes a blasfemar contra Deus (Atos 26. 11), porque ignorava a Cristo e o Espírito Santo.


A ação do Espírito Santo era inequívoca na igreja de Corinto, todavia muitos se achavam mais espirituais. Julgavam-se detentores de melhores dons. Declarar Jesus Cristo, o Senhor, corroborava a fé cristã. Por ser a afirmação requerida no culto a César, representava um grande desafio dizer que Jesus Cristo é o Senhor. Somente o Espírito Santo poderia encorajar a tanto. Era uma prova de fé vitoriosa tal declaração. Paulo vai entretecendo, com a sua exposição, os dons, os ministérios e as realizações manifestadas pelo Espírito Santo.

EXPLICANDO OS DONS ESPIRITUAIS–.


Jesus Cristo prometera e cumprira a promessa (ver João 14. 15-17 e Atos 2. 1-13, 38), concedendo o Espírito Santo. É bom destacar que a palavra para “dom”, registrada em Atos 2. 38, é “doréan”, que vem de “doreá”, que significa ”dom gratuito”. Em I Corintios 12. 1, 14, “pneumatiká” (dons espirituais ou, simplesmente, espirituais) é a palavra utilizada por Paulo. Ele se servirá também de “charísmata” (palavra bíblica de uso quase exclusivo de Paulo, só aparecendo em I Pedro 4. 10).


Esta palavra é sempre usada no plural. Significa “dons’, ou seja, “dons da graça”, em oposição a “doreá”, que significa o “dom”, referindo-se ao próprio Espírito Santo, oferecido como dádiva aos crentes. São esses dons espirituais disponibilizados, para o benefício comum, ou seja, para a edificação da igreja.


A FINALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS


O Pr. Damy Ferreira, no seu estudo “Os Dons do Espírito Santo”, elenca uma série de princípios básicos sobre o funcionamento destes dons na vida do crente e da igreja:

1- Diversidade- os dons têm finalidades diversas (I Coríntios 12. 4-6);

2- Utilidade- é concedido para o que for útil (I Coríntios 12. 7);

3- Distribuição- são distribuídos a cada um pelo Espírito Santo;

4- Mobilidade- constata-se modificação do dom ao longo do tempo.

5- Escala de valores- alguns dons eram mais usados e mais importantes que outros (I Coríntios 12. 28), e

6- Edificação- todos os dons foram concedidos para a edificação da igreja (I Coríntios 14. 12, 26).


Uma igreja dividida demonstra claramente uma dívida para com Deus. Paulo os conclama à unidade. Citando o corpo humano, enfatizará a interdependência que os membros devem ter para assegurar o bom funcionamento do corpo. Frisará que nenhum membro é mais importante que o outro. Todos devem ser honrados, “pois, se um membro sofre, todos sofrem com ele”. Deus promove a unidade na diversidade. Todos os dons são para a Sua glória. Nessa disputa estúpida por dons, fomentados pela inveja e pelo orgulho, Paulo adverte os coríntios, incitando-os a procurar com zelo os melhores dons (ver I Coríntios 12. 31).


A SUPREMACIA DE UM SOBRE OS OUTROS-


O problema em Corinto, afeto aos dons espirituais, estava no fato de que, além da imaturidade dos crentes (e também por isso), não estavam vivendo inspirados pelo amor. A motivação, que nos conduz na direção de Deus, é o amor. Apontando um caminho superior, a ternura paulina cresce e parece tratá-los como a infantes, quase a colocá-los no colo.


A expressão do verso onze, do capítulo treze, desta primeira carta, faz-nos ver que Paulo constatava uma evolução do seu pensamento e nos seus sentimentos. Ele via o quanto aquele grupo de irmãos deveria desenvolver-se também. Tudo era conferido à eficácia do amor. Só o amor é fonte inspiradora permanente, que capacita o crente, que permite a concessão dos dons, dos quais decorre o genuíno serviço cristão.


O amor é o dom (“doreán”) de Deus, que está em nós e que nos move com, por e para Ele. O apóstolo Paulo convoca os crentes coríntios ao crescimento cristão. Declara-lhes que hoje vemos a Deus,” de modo obscuro, como por um espelho”, mas depois O veremos face a face, referindo-se à percepção progressiva que obtemos ao viver a vida autêntica, onde glória e presença divinas se tornam em credencial definitiva para o cristão. No capítulo quatorze, o bom senso apostólico prioriza o dom de profecia, fazendo diversas observações sobre o uso inadequado do dom de línguas.

UMA PALAVRA SOBRE O DOM DE LÍNGUAS EM CORINTO

A advertência paulina alerta a todos os crentes, quanto à utilização dos dons espirituais. Ilustra que até os instrumentos musicais devem ter o uso adequado, sob pena de confundir e não enunciar, com clareza, a mensagem que pretendem transmitir. Quem tem o “dom”, receberá os “dons”, para a edificação do corpo de Cristo e para a glória de Deus. Há talentos naturais, que todas as pessoas possuem e que são mais acentuados em algumas delas. Estamos falando, no entanto, de capacitação espiritual, concedida por Deus.


A respeito do “dom de línguas”, em Corinto, é preciso definir o que se entende por “línguas”. Se um idioma inteligível, como registrado no Dia de Pentecostes, quando “todos os entendiam falar em suas próprias línguas”, ou um falar ininteligível, resultante de um êxtase espiritual, em que os vocábulos são um linguajar incompreensível aos homens, porém compreensível a Deus? Independente da posição que esposemos, depreendem-se algumas verdades, que não podem ser omitidas:


1- Não temos menção, no Novo Testamento, nenhuma outra igreja que enfatize este dom.

2- Não vemos a sua aplicação estimulada, e mesmo evidenciada, em qualquer outro contexto neo testamentário;

3- Ainda que o uso deste dom não seja proibido (ver I Coríntios 14. 5, 39), em nada é estimulado ( ver I Coríntios 14. 1, 5, 12);

4- Para evitar desordem, apenas dois crentes (e no máximo três) poderiam falar. Ainda assim, não poderia ser ao mesmo tempo. Careciam de intérpretes. Não os havendo, deveriam ficar calados (ver I Coríntios 14. 27, 28);

5- Não é sinal do batismo do Espírito Santo, conforme muitos querem fazer crer. O dom de línguas é mencionado em último lugar nas listas de dons espirituais paulinas.

OS CUIDADOS NO USO DOS DONS

Deus concede os dons para serem empregados no serviço cristão. Jamais servirá para a exaltação de alguém. Quem recebe o Espírito Santo, é porque recebeu a Jesus Cristo, sendo detentor de um Deus triúno e indivisível. Não tem, por conseguinte, como ficar aguardando o batismo do Espírito Santo ou na expectativa equivocada de uma segunda unção. Deus está em nós pelo Seu santo espírito, “pois, se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dEle” ( ver Romanos 8. 9).


A busca em afastar-se do pecado, meditar na Palavra de dia e de noite, orar sem cessar e, com abnegação, envolver-se no serviço cristão, vai proporcionar ao crente crescimento espiritual desejado (e que deve ser perseguido), para que possa chegar à plenitude do Espírito Santo.


UM AVIVAMENTO URGENTE E NECESSÁRIO

O que estava ocorrendo em Corinto guardava muita semelhança com o que sucedera em Babel (ver Gênesis 11. 1-9). A acentuada diferença reside no fato de que, se os de Babel foram confundidos, na sua linguagem, por sua pretensão em chegar aos céus, os coríntios pretenderam aqui na Terra, dizerem-se no céu, por confundirem a sua linguagem.


A confusão era tanta que, absolutamente, não pode servir de modelo (conforme insistem alguns), para as nossas igrejas hoje. Destacamos algumas das distorções engendradas por esses crentes carnais:

1- Conceder ao dom de línguas o status de número “1”, menosprezando outros;

2- Exibir-se, ostentando uma falsa espiritualidade;

3- Impor o personalismo, impedindo a unidade, e 4- Promover a confusão no culto, que transcorria de forma indecente e desordeira.

Ainda hoje, vemos resquícios da pretensão e da vaidade de crentes imaturos. Olvidam as recomendações paulinas a respeito dos dons espirituais e, particularmente, do dom de línguas. Deus espera um posicionamento mais responsável, por parte da Sua igreja. Devemos proclamar o dom da salvação: Jesus Cristo. Há urgência na entrega da mensagem. Somos despenseiros de Cristo. Tudo o que se requer do despenseiro é que ele seja fiel. O avivamento virá, quando formos fiéis ao Senhor, ao viver e pregar a Palavra.


MAIS APLICAÇÕES PARA A VIDA


Portanto o crente não necessita de pedir o Espírito Santo, pois ele está na sua vida. Cumpre ao crente deixar-se mais usar por ele, submetendo-se à orientação dEle e reconhecendo o senhorio de Jesus Cristo. O fruto do Espírito Santo deve evidenciar-se mais e mais na vida do crente, tornando-se frutífera, edificadora. Os dons espirituais serão aplicados para o bem da comunidade. Jamais será ambicionado para a autopromoção. Tudo será para a glória de Deus!

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