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A REVELAÇÃO DE DEUS (João 1:1-51)

O tema geral do estudo, composto por treze lições, intitula-se A Teologia de Jesus e tem por base o Evangelho de João.

 

Ao lado de Mateus, Marcos e Lucas, o apóstolo João, usado pelo Espírito Santo como o foram os outros três, integra esta parte das Escrituras Sagradas, dedicada a tornar conhecido o Evangelho de Jesus Cristo, único e autêntico Evangelho, porquanto qualquer outro que nos seja anunciado como se evangelho fosse deve ser considerado anátema, excluído, de acordo com Gálatas 1:8.

 

Mateus, Marcos e Lucas dedicaram-se à narrativa dos fatos, feitos e acontecimentos do ministério do Senhor Jesus, repletos de sentido espiritual e de lições preciosas para a vida cristã.

 

Quanto ao Evangelho escrito por João, embora contendo capítulos que apresentam relatos da vida terrena do Senhor Jesus, a narrativa dos fatos não é o objetivo principal do livro. Sua ênfase recai no significado dos acontecimentos, visando trazer ao conhecimento do leitor os profundos aspectos teológicos daquilo que estava sendo realizado e proferido pelo Senhor Jesus.

 

A mensagem anunciada neste Evangelho é formada por três temas principais: Vida, Luz e Amor. Em Jesus está a Vida e Ele veio dar ao homem vida abundante e eterna; Ele é a Luz que dissipa as trevas e ilumina o homem; Jesus é expressão do amor de Deus para com o homem, ao dar a sua vida em sacrifício na cruz do Calvário, vencendo a morte na ressurreição.

 

A palavra crer ocupa um lugar importante, podendo ser considerada uma das palavras- chave do livro. Neste Evangelho, Jesus é apresentado como aquele em quem devemos crer. Somos chamados a crer na divindade de Jesus Cristo, Deus que se fez homem e veio ao mundo para salvar o pecador. Este apelo é muitíssimo significativo na mensagem do Evangelho de João, a ponto de ter se tornado o objetivo do livro: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20:31).

 

João cuida, de forma expressiva, em apresentar Jesus como o Cristo e já no início do livro prepara o cenário necessário para a revelação da obra redentora, falando do Verbo que se fez carne.

 

A revelação se dá de forma gradativa e, assim, a primeira declaração feita neste evangelho, registrada no primeiro versículo do livro, diz respeito à natureza divina de Jesus, inicialmente chamado de ‘o Verbo’: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (1:1). Alguns dos comentaristas da Bíblia chamam a atenção para o uso da preposição ‘com’ em “o Verbo estava com Deus”, indicando haver coexistência do Verbo com Deus, identificando-o com Deus e ao mesmo tempo caracterizando-o de forma distinta. De igual modo, a afirmação “o Verbo era Deus”, com o emprego do artigo precedendo somente o vocábulo ‘verbo’, indica a sua participação na natureza divina, porém destacando-o como uma pessoa e pessoa esta que participa da Trindade.

 

Os versos seguintes tornam clara a realidade da sua existência eterna, antecedente à obra da criação do universo e do homem, descrita em Gênesis 1 e 2, da qual Ele foi participante com Deus no ato criativo: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (v.3), em conformidade com o Salmo 33:6 e Colossenses 1:16 e 17. Todas as coisas foram criadas por intermédio dEle.

 

Essa compreensão nos leva ao entendimento de mais uma das afirmações a respeito de Jesus, feita a seguir neste mesmo capítulo, sendo Ele ainda mencionado como o Verbo: “A vida estava nEle e a vida era a luz dos homens” (v.4). Jesus tem em si a vida auto-existente, própria do Criador, que pode dar vida a outros. Vida e luz. Assim como chamou a luz à existência na criação do mundo, Ele próprio é também fonte de luz para os homens, em sentido moral e, sobretudo, espiritual, dissipando as trevas do pecado.

 

Neste ponto, a revelação a respeito de Jesus começa a se encaminhar para o significado espiritual daquilo que está para acontecer. João Batista, embora não sendo citado como o Batista por este evangelista, é mencionado em razão de ter sido enviado por Deus para dar testemunho prévio a respeito de Jesus e sua missão salvadora. João chamava a atenção para a realidade de que Jesus era a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo o homem.

 

Apesar da veemência utilizada por João Batista em sua pregação, ele não foi compreendido e nem aceito por todos em seu testemunho (vs.6 a 9). A incompreensão e a recusa do testemunho de João são vistas pelo fato de que o Verbo que estava com Deus e que era Deus estava no mundo feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu; veio para o que era seu, e os seus não o receberam (vs.10 e 11).

 

Contudo, em meio a esta trágica rejeição por parte de alguns, uma boa notícia nos é anunciada: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber: aos que creem no seu nome” (v12). Que gloriosa revelação! Um homem pecador, perdido, pode ser adotado como filho de Deus, se preenchida a condição: crer no nome de Jesus.

 

A salvação se tornou possível porque “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai” (v.14).

 

A essa altura do texto, uma notável relação se estabelece entre a revelação feita no versículo 1 e esta do versículo 14: o Verbo, que no princípio estava com Deus e que era Deus, tornou-se homem. Aquele que era Deus e que estava cheio, pleno, de graça e de verdade se fez carne e habitou entre nós.

Ao vir habitar entre nós, Ele nos concedeu desta sua plenitude. Concedeu-nos graça sobre graça. Graça que não se esgota, que não tem limites e que nEle, em Cristo, está sempre disponível à necessidade do homem.

 

Disponível em Cristo e somente por Ele porque “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”, testemunhou João. Aqui, chegando ao verso 17, o nome do Verbo que se fez carne é revelado: Jesus Cristo. E assim, pela encarnação do Verbo, Jesus Cristo, cheio de graça e de verdade, manifestou-se a completa e perfeita expressão de Deus.

 

Mais adiante, por duas vezes João, o Batista, deu testemunho a respeito de Jesus. No verso 29, ele disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, ressaltando a obra redentora que Jesus veio realizar. De forma semelhante, no verso 36, ele repete: “Eis o Cordeiro de Deus” e, desta feita, convidando-nos a olhar para a pessoa de Jesus: eis o Cordeiro de Deus.

 

É necessário que Jesus seja reconhecido e aceito como Salvador para, então, recebermos de sua graça. A mensagem anunciada previamente não deixa dúvidas: a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome. Assim acontecendo, o passo seguinte é passamos a imitá-lo em seu exemplo de vida, uma vez que, tendo sido salvos por Cristo, devemos andar como Ele andou.

 

Se você, prezado ouvinte, ainda não tomou a sua decisão ao lado de Jesus, hoje pode ser o dia da sua oportunidade. Aceite a Jesus e confesse publicamente recebê-lo como seu Salvador pessoal. Se o fizer, você estará recebendo vida eterna e passará a integrar o grupo dos discípulos de Jesus, iniciado por André na companhia de mais um, cujo nome não é mencionado por este evangelista, mas que possivelmente foi João, filho de Zebedeu. Eles ouviram o testemunho de João Batista e, crendo, passaram a seguir a Jesus.

 

André, movido pela experiência que teve, chamou a Simão, seu irmão, declarando-lhe ter achado o Messias, que quer dizer Cristo, e o levou a Jesus. Ao vê-lo, Jesus mudou o seu nome para Pedro. No dia seguinte, tendo ido para a Galileia, o próprio Senhor Jesus chamou a Filipe, dizendo-lhe: segue-me. Filipe O seguiu e, por sua vez, encontrou Natanael e o convidou a vir a Cristo.

 

E assim foi se formando o grupo de discípulos de Jesus, que continua crescendo até hoje. E você, prezado leitor, não quer seguir a Cristo?

 

 

Consulta Bibliográfica

 

BÍBLIA VIDA NOVA, 16ª ed.

São Paulo: Edições Vida Nova, 1992.

 

ACLEOD, A. J. João, in O Novo Comentário da Bíblia, Vol.III.

São Paulo: Edições Vida Nova, 1959.

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