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“DOS TEUS PECADOS NÃO ME LEMBRO” (Isaias 43 a 48)

1.INTRODUÇÃO

Devemos trazer à memória a visão do profeta Isaias, ocorrida no ano em que morreu o rei Uzias. O Senhor Deus do seu alto trono anunciara a Isaias que a sua mensagem tornaria insensível o coração do seu povo, de tal modo que reagiriam como cegos e surdos diante das advertências divinas, e não se converteriam. Angustiado, o profeta quis saber até quando aquela situação perduraria, ao que o Senhor responde, indicando tempos de assolação, e grande desamparo.

Porém as profecias de Isaias são como um raio de luz que atravessa terríveis sombras, mas revela além tempos de refrigério, alegria e salvação. Em tempos da mais dura correção, o profeta Isaias sempre anunciou um Deus, compassivo, fiel e amoroso que esperaria pela conversão do povo aos seus caminhos para perdoar-lhe os pecados e salvar. É com este toque de misericórdia que o profeta inicia o capítulo 43; “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo nome, tu és meu”.

A graça de Deus é sempre maior que o pecado. Saibamos, entretanto, que o Deus Santo não tolera a iniquidade, antes troveja sobre ela a sua justiça. Mas diante da conversão aos seus santos propósitos, Deus se esquece do pecado e abençoa com paterna proteção. Foi assim que deus tratou com o seu povo antigamente. É ainda assim que trata com o seu povo hoje.


2.QUEM PODE IMPEDIR?

“Agindo eu, quem impedirá?”. Assim diz o Senhor pela boca do profeta Isaias. Seus argumentos visam estabelecer seus eternos direitos sobre um povo que Ele escolheu amar e salvar para seus próprios desígnios; “Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou ó Jacó, e que te formou, ó Israel...”. Isaias está aqui, em profecia, falando a um povo vencido e deportado para a Babilônia. Deus mesmo havia suscitado este mal, da mesma forma como ordenou aos assírios a destruição de Israel, o reino do norte. Agora, entretanto, o Senhor ordena: “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra”. O Senhor agirá. Quem poderá impedi-lo? Deuses feitos por mãos de homens? Não. Ele, e somente Ele é Deus. Ele anuncia as coisas futuras antes que aconteçam.

Antes que houvesse dia, Ele era.Ele levou seu povo através do Mar Vermelho e nele fez perecer o exército egípcio. Ele dividiu o rio Jordão para que seus amados passassem a pé. Sim, a Babilônia terá que entregar o povo amado de Deus. Ele os salvará visto que são preciosos aos seus olhos, dignos de honra e amados. “por amor de vós” diz o Senhor, “enviarei inimigos contra a Babilônia”.

Afinal, que méritos especiais tinha Judá para receber tão grandes favores? O Senhor tem queixas contra o seu povo. “Não me tens invocado” e “ de mim te cansaste”. Os holocaustos e sacrifícios ordenados pelo Senhor não lhe foram apresentados. Antes, diz Ele, “me deste trabalho com os teus pecados e me cansaste com tuas iniquidades”. Porém, contra todas as razões para desistir, o Senhor proclama: “derramarei o meu espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção sobre os teus descendentes”.

Nem mesmo a loucura da idolatria, abominação diante do Senhor, pode impedir a oferta da sua misericórdia aos seus eleitos: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”. Jerusalém está destruída. O povo está sob o jugo babilônico. “Mas esta é a palavra do Senhor:” digo de Jerusalém: Ela será habitada; e das cidades de Judá: Elas serão edificadas... e do Templo: Será fundado”.

Um homem persa, ainda por nascer será o instrumento de Deus, segundo a sua palavra: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face”. Ciro será um rei vitorioso não por seus méritos, mas para que Ele e as nações saibam que só o Senhor é Deus, e para demonstrar seu amor ao povo eleito.


3. OS ÍODOLOS, PECADO E MISERICÓRDIA

Os reis de Babilônia confiam em seus ídolos. Bel é o seu Deus. Eles os carregam e solenes procissões, com andores puxados por bestas. Nada podem, nada fazem. Quanto ao Santo de Israel, diz de si mesmo; “Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem, desde o nascimento carrego e levo nos braços...”. “... levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”. Bel não poderá salvar a Babilônia. Dela assim diz o Senhor: “Assenta-te calada e entra nas trevas, ó filha dos caldeus, porque nunca mais será chamada senhora dos reinos”.

Os encantamentos e feitiçarias, a ciência e astrologia serão inúteis para a cidade que dizia orgulhosa: Além de mim não há outra. Infelizmente o Senhor tem queixas iguais contra o seu povo. Juravam pelo nome do Senhor e o confessavam, mas não em verdade e justiça. Deus lhes pusera como suas testemunhas de que cumprira todas as profecias dantes anunciadas, para que não dissessem; O meu ídolo fez estas coisas. Diante das palavras proféticas que predisseram a dura correção de Deus, o povo se mostrou obstinado e desobediente. O Senhor, compadecido de seu amado povo diz: Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos!

Muito tempo depois, o próprio Messias teve que queixar-se sobre Jerusalém: “quantas vezes eu quis ajuntar-te como uma galinha aos seus pintinhos, mas tu não quiseste”. A misericórdia do Senhor, porém, dura para sempre e seu coração amorosa proclama: “...anunciai isto com voz de júbilo; proclamai-o até ao fim da terra; dizei: O Senhor remiu a seu servo Jacó”. O Senhor é Deus que perdoa e esquece as nossas iniquidades.


PARA NÓS

Somos povo de Deus neste tempo. Suas testemunhas diante das nações. Que o nosso modo de viver proclame ao mundo a sua graça e misericórdia.

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