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RESSURREIÇÃO E VIDA (João 20 e 21)

Esta é a última lição da série de estudos intitulada A Teologia de Jesus, desenvolvida com base no Evangelho de João.

 

Os doze primeiros estudos nos ofereceram profundos ensinos teológicos sobre o ministério terreno do Senhor Jesus, “o Verbo que se fez carne, e habitou entre nós” (1:14). Em total obediência à vontade do Pai, Ele cumpriu plenamente a missão redentora que lhe coube realizar, entregando a sua vida na cruz do Calvário para dar vida eterna a todo aquele que nEle crê.

 

Morto na cruz, do Calvário o corpo de Jesus foi levado por José de Arimateia e Nicodemos até um sepulcro.

 

Para os discípulos que o amavam, parecia o fim. Estavam tomados de tristeza, esquecidos das palavras que lhes dissera de que em três dias reconstruiria o santuário do seu corpo (2:19-22). Eles não tinham ainda compreendido que Jesus estava falando da sua ressurreição. Essa falta de compreensão permaneceu com eles e se fez notável durante as primeiras evidências da ressurreição Jesus, vindo a ser superada posteriormente.

 

Foi assim que, no primeiro dia da semana, sendo o terceiro após a crucificação, Maria Madalena foi ao sepulcro. Era muito cedo. Ainda estava escuro. Foi surpreendida pela descoberta de que a pedra do túmulo se encontrava removida.

 

A única coisa que Maria Madalena conseguiu imaginar foi que o corpo de Jesus havia sido tirado do túmulo. Ela precisava levar essa notícia rapidamente aos discípulos e, por isso, correu para avisar a Pedro e ao discípulo amado. As palavras que ela usou ao informá-los sugerem que, provavelmente, ela estava na companhia de outras mulheres, quando foi ao túmulo: “Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram” (20:2). Até ali, ainda não lhe ocorrera que o Senhor havia ressuscitado.

 

Pedro e o outro discípulo foram ao sepulcro. Eles corriam juntos, o que nos faz imaginar o forte impacto emocional que a notícia produziu. Mas, até aí, tudo o que estava sendo considerado era que o corpo do Senhor não estava no túmulo.

 

O outro discípulo chegou primeiro ao local. Talvez por ser mais jovem, correu mais rápido do que Pedro. Chegou, encontrou o túmulo aberto, mas não entrou. De fora, observou que os lençóis que envolveram o corpo de Jesus estavam no chão. A seguir, chegou Pedro. Com a característica impetuosa, peculiar à sua personalidade, Pedro entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis no chão, e mais ainda, viu o lenço que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, enrolado num lugar à parte. Foi aí que entrou também o outro discípulo.

 

Há uma nota no registro de João que merece a nossa atenção. Pedro e o outro discípulo acabaram por entrar no sepulcro; ambos viram os mesmos objetos: lenço e lençóis. João ressalta que o outro discípulo entrou no túmulo, “e viu, e creu” (20:8). Ele não somente viu, ele creu.  Ele compreendeu e creu que Jesus ressuscitou. Ao olhar com os olhos da fé, ele pôde ver no túmulo vazio a ressurreição de Jesus, antes mesmo de ver a presença física de Jesus ressurreto. A fé nos permite ver além.

 

Pedro e outro discípulo voltaram para casa. Enquanto isso, Maria Madalena retornou ao sepulcro e estava ali, do lado de fora, chorando. Ela não sabia que a experiência mais emocionante e privilegiada de sua vida estava prestes a acontecer.

 

Primeiramente, Maria viu dois anjos, vestidos de branco, assentados junto ao lugar onde estivera o corpo de Jesus. Eles se dirigem a ela e lhe perguntam: “Por que choras?” (20:13). Ela apresenta as suas razões, sem saber que atrás de si já se encontrava o próprio Senhor. Ele se importou com o que ela sentia e lhe fez perguntas também (20:15), mas ela não o reconheceu, até que Ele a chamou pelo nome: “Maria!” (20:16). Era a doce voz, inconfundível, do seu bom Pastor, do seu Senhor, do seu Mestre. De imediato, ela respondeu: “Raboni” (20:16), que quer dizer Mestre. Que honra, para Maria! Que experiência singular! Quanta bondade e amor de Jesus!

 

O estado emocional de Maria logo mudou; a tristeza deu lugar à alegria. Ela que procurava pelo corpo do seu Senhor, estava diante dele, face a face, com Jesus ressurreto, vivo.

 

Jesus deu a Maria a incumbência de levar uma mensagem aos discípulos: “vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (20:17). “Ela foi e disse aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto” (20:18).

 

Ainda nesse primeiro dia da semana, no domingo da ressurreição, à tarde, Jesus foi ao encontro dos onze discípulos. Tomé não estava presente naquele momento.  Eles estavam reunidos, a portas fechadas, com medo dos judeus. Jesus se pôs no meio deles, sem que as portas tivessem sido abertas, saudando-os com palavras de paz. A saudação “Paz seja convosco” (20:19) era habitual, mas naquele momento parecia ter um significado especial, considerando que Jesus a repetiu, nesse mesmo encontro. Tendo-os saudado com a paz, Jesus lhes mostrou as mãos e o lado, marcados pela crucificação.

 

Chama-nos a atenção o destaque que o texto de João dá de que “os discípulos se alegraram, vendo o Senhor” (20:20). Era o cumprimento da palavra que Jesus lhes tinha falado durante a reunião no cenáculo: “Assim também vós agora, na verdade tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará” (16:22). A presença de Jesus restaura a alegria no coração de quem o encontra, ou reencontra.

 

Mais uma vez, Jesus saudou os discípulos com a paz, o que mostra haver nessa saudação uma significação mais profunda. Jesus estava para entregar a eles uma missão, que foi precedida pela saudação: “Paz seja convosco” (20:21). A missão que, à época era para eles e hoje permanece conosco, era sublime, mas também de grande responsabilidade: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (20:21). Contudo, por maior que seja a responsabilidade envolvida, não há o que temer. O discípulo de Cristo é capacitado com o poder do Espírito Santo para a realização da obra do Senhor. Jesus soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo” (20:22), numa demonstração antecipada do que viria a acontecer no dia de Pentecostes.

 

Tomé perdeu muito por não estar presente nesta abençoada reunião com Jesus, marcada pela paz do Senhor, a alegria da presença de Jesus e pelo poder do Espírito Santo. Em sua dificuldade para crer, ele duvidou do relatório prestado pelos demais sobre o encontro com Jesus ressurreto.

 

Contudo, Tomé recebeu de Jesus outra oportunidade. Oito dias depois, Jesus reapareceu aos discípulos, quando mais uma vez estavam reunidos, agora com a presença de Tomé. A experiência se repetiu: Jesus passou pelas portas fechadas, se colocou no meio deles e os saudou com a paz. Feito isso, Jesus se dirigiu diretamente a Tomé, mostrando-lhe todas as marcas do seu corpo, deixadas pelos pregos da cruz, para, então, fazer a séria, mas também amorosa advertência que Tomé precisava receber: “Não sejas incrédulo, mas crente” (20:27). Diante das evidências, Tomé exclamou: “Senhor meu, e Deus meu” (20:28). Estava feita a sua profissão de fé em Jesus, aceita pelo Senhor, com o acréscimo de que mais bem aventurado é aquele que crê sem precisar ver. Mais uma vez, cumpriram-se as palavras de Jesus: “Não perdi nenhum dos que me deste” (17:12).

 

Assim, Jesus cumpriu plenamente a missão que recebeu do Pai. Agora, todo aquele que nele crê recebe o perdão de pecados, por meio de sua morte na cruz; recebe vida, e vida eterna, por meio de sua ressurreição e vida.

 

A Deus seja dada a glória.

 

 

Consulta Bibliográfica

 

BRUCE, F. F. João, Introdução e Comentário.

São Paulo: Vida Nova, 1987.

 

MACLEOD, A. J. O Novo Comentário da Bíblia. Vol. III

São Paulo: Edições Vida Nova, 1963.

 

McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. 4ª ed.

Rio de Janeiro: CPAD, 1983.

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